A escalada dos juros não chegou ao fim

Os juros cobrados pelos bancos, pelas financeiras e pelo comércio subiram ininterruptamente nos últimos oito meses, até maio, segundo a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). E poderão subir ainda mais com a decisão recente do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de elevar em 0,5 ponto porcentual a taxa básica, de 13,25% para 13,75% ao ano.

O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2015 | 02h05

A escalada dos juros explica a decisão das empresas e das pessoas físicas de evitar, no limite possível, a tomada de empréstimos, afastando o risco da incapacidade de honrar os compromissos se faltar receita ou salário na data do vencimento. Nem por isso deixam de ser assustadores os patamares a que chegaram os juros ativos, ou seja, cobrados nos empréstimos.

As pessoas físicas que pagavam em média juros de 5,98% em maio de 2014 (100,76% ao ano) pagaram no mês passado 6,87%, ou 121,96% ao ano, ou 9,2 vezes a taxa básica de juros de maio. E, se no financiamento do automóvel no banco o juro médio foi de 28,02% ao ano, no cheque especial foi a 210,44% e no cartão de crédito, a 304,03% ao ano.

As pessoas jurídicas pagavam 3,41% ao mês em maio de 2014, porcentual que avançou para 4% no mês passado - ou seja, o juro anual, em média, passou de 49,54% para 60,1% entre maio de 2014 e maio de 2015, chegando a 105,8% nas operações de conta garantida. As empresas pagaram em maio as taxas mais elevadas desde julho de 2011.

Os bancos justificam a elevação dos juros ativos pelo aumento dos riscos de inadimplência, no que estão certos. Falta dizer que juros muito altos também são um poderoso fator de inadimplência, sempre que os tomadores aceitem contratar crédito às taxas exponenciais cobradas nos cartões de crédito ou no cheque especial.

Ainda pior é o efeito do custo do crédito para a economia, afetando a produção, as vendas, o emprego de mão de obra e, portanto, o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Há perfeita correlação entre os juros altos e a queda do PIB neste ano, estimada em 1,3% pela pesquisa Focus e em 2% por outros analistas.

Juros altos, afinal, empurram as famílias, sempre que possível, para um aumento das reservas financeiras, segundo as estatísticas da Anbima. Em maio, cresceram em R$ 9,5 bilhões as aplicações em fundos, em contraste com os saques de R$ 3,2 bilhões nas cadernetas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.