A escalada dos juros dependerá da demanda

Os juros médios cobrados das pessoas físicas subiram quase ininterruptamente entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac). Mas, se é provável que as instituições financeiras continuem a elevar os juros ativos (cobrados dos devedores), também é verdade que, se os clientes demandarem menos crédito, será mais difícil de manter a escalada de taxas.

O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2015 | 02h06

Para elevar o custo dos empréstimos, os bancos se baseiam na alta da taxa básica de juros e no temor de um crescimento da inadimplência. Isso se explica pelo aperto nos orçamentos familiares, a piora na qualidade dos empregos e o avanço dos cortes de pessoal, seja na indústria em geral, seja no setor de veículos, seja nas construtoras que operam para a Petrobrás e estão envolvidas na Operação Lava Jato.

Mas cabe notar que os clientes bancários são mais cuidadosos do que os devedores em geral. Um aumento de 16,7% dos índices de inadimplência, entre janeiro de 2013 e janeiro de 2014, foi constatado pela consultoria Serasa, porém o quadro é diferente nos bancos, onde o crescimento dos atrasos foi de apenas 0,3%, muito inferior, portanto, aos demais.

Na comparação entre os meses de janeiro deste ano e do ano passado, os juros do comércio avançaram 0,6 ponto porcentual (de 4,35% para 4,95%); do CDC dos bancos, 0,21 ponto, de 1,69% ao mês para 1,90% ao mês; e dos empréstimos pessoais, 0,49 ponto, de 3,26% ao mês para 3,75% ao mês. Já são taxas altas, mas baixas perto de outras linhas.

No cheque especial, por exemplo, as taxas mensais passaram de 8,03% para 9,14% (ou 185,63% ao ano). E no cartão de crédito, de 9,37% para 11,22% (258,26% ao ano). O número de transações com cartão cresceu 13,2% entre 2013 e 2014, enquanto o valor das operações avançou 17,2%, mas até setembro as operações parceladas caíram 8,8%, segundo a entidade de classe (Abecs), o que é um indicador positivo da prudência dos titulares de cartões.

Numa conjuntura em que as instituições financeiras têm preservado seus lucros, a continuidade da alta dos juros ativos tem graves inconvenientes, entre os quais o agravamento da situação dos devedores, que têm de pagar prestações mais altas, e o enfraquecimento da economia, que depende de crédito para voltar à normalidade. Parece ser preciso que as pessoas fujam do crédito, para que a demanda não sancione novas altas de juros.

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