A escola do futuro

O processo das transformações, impulsionado pelos avanços tecnológicos, conectividade e velocidade das informações, redesenhou o mundo em diversos aspectos e pautou a nova organização do trabalho em todos os ramos de atividade. O homem deixou de ser fator de produção para ser gerador e multiplicador de conhecimento. O modelo em que o símbolo da felicidade e da realização pessoal e profissional era o bom emprego com carteira assinada se esgotou, dando vez ao desenvolvimento da cultura empreendedora.

ALENCAR BURTI,

19 de outubro de 2013 | 02h10

Os números atestam isso. Somos o terceiro país em número de empreendedores: há 27 milhões de pessoas com um negócio próprio ou envolvidas na criação de uma empresa. Atrás apenas da China, com 373,5 milhões, e dos EUA, com 41,3 milhões - dados compilados pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), sob coordenação do Babson College e da London Business School e aqui, no Brasil, com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Em negócios formais, há no País 7 milhões de pequenos negócios e empreendimentos individuais, que geram 67% dos empregos (cerca de 21 milhões), 40% da massa salarial e 25% do PIB. Cenário perfeito, não fosse por alguns aspectos, como o ainda alto número dos que iniciam um negócio por necessidade, sem planejamento. Disso resultam produtos e serviços de baixo valor agregado e pouco inovadores em processos e equipamentos, que impactam nos já altos índices de mortalidade (58% em cinco anos de atividade) e de informalidade (para cada negócio formal existem dois informais).

O descompasso também é evidenciado em outra pesquisa do IBGE, em parceria com a Endeavor Brasil: hoje no Brasil há pouco mais de 30 mil empresas de alto impacto - empreendimentos que começam pequenos, mas pensam além do horizonte e tornam-se grandes, passando a empregar 250 ou mais funcionários. Representam 1,7% do total das empresas registradas, e poucas com maturidade suficiente para abrir capital.

Mas o brasileiro tem em seu DNA o ato de empreender. Para isso ser um bônus ao processo de desenvolvimento sustentável do Brasil, são necessárias soluções rápidas e inovadoras, seja na melhoria da legislação, partindo da Lei Geral da Microempresa, que garante tratamento diferenciado aos pequenos negócios, seja na consolidação da cultura empreendedora.

No campo do desenvolvimento da educação empreendedora, raiz mestra da atuação do Sistema Sebrae, temos feito ótimas ações, educando as futuras gerações de empreendedores desde 2002. O Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), programa implementado no sistema educacional paulista, agora avança para todo o território nacional, ensinando empreendedorismo a crianças e jovens das redes pública e privada.

Em fevereiro de 2014, terá início a Rede Escola de Negócios em todo o Estado, fruto de parceria com o Centro Paula Souza. Aliaremos o que há de mais avançado no mundo da pedagogia - jogos, simulação, tutoria de empresários - com o conhecimento dessa rede que há mais de 40 anos oferece o melhor do ensino técnico aos jovens paulistas, e com a expertise de especialistas do Sebrae-SP.

A verdadeira escola do futuro estimulará o protagonismo da aprendizagem dentro e fora das salas de aula. Será sediada na capital e terá uma incubadora de projetos, preferencialmente startups, um observatório das tendências nacionais e internacionais de empreendedorismo e a casa de biblioteca virtual sobre gestão.

Queremos que os alunos que passarão pelas 34 unidades respirem e inspirem novos conhecimentos, aprendam o tema na prática e ajudem São Paulo e o Brasil a construírem o tecido de uma sociedade do conhecimento: a rede formada por pessoas com capacidade de acompanhar o ritmo da evolução do nosso mundo tão veloz, com criatividade para inovar sempre e para realizar, empreender, gerar empregos, renda e desenvolvimento.

ALENCAR BURTI, EMPRESÁRIO, É PRESIDENTE DO CONSELHO DELIBERATIVO DO SEBRAE-SP

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