À espera da casa própria, famílias 'vivem de favor'

Após construir sua casa em mutirão, Claudirene espera que sua irmã seja aprovada no programa; lista tem 250 pedidos

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2015 | 19h36

Faz dois anos que a agricultora Claudirene Oliveira, de 36 anos, levou quatro dias para percorrer junto com a família, em carros de boi, os 100 quilômetros que separam a zona rural de Itaberaí, na região central de Goiás, de Trindade, na região metropolitana de Goiânia. Os romeiros da família Oliveira foram agradecer ao Divino Pai Eterno a casa nova que tinha acabado de ficar pronta.

Antes de ter sua casa, Claudirene, o marido, Maurício, e os dois filhos – Pedro Henrike e Gustavo Henrike – viveram de favor, por mais de uma década, na casa dos pais dela, na zona rural de Itaberaí, a 288 quilômetros de Brasília. A agricultora, que planta milho e gueiroba, cria porcos e galinhas e tem 16 vacas – que produzem 80 litros de leite por dia –, contribui para a vocação agrícola da economia de Itaberaí, que já se chamou Curralinho.

Da porteira, Claudirene convida para entrar e tomar um café, típico gesto da cultura interiorana do País. “Quando mudei pra cá, nem dormia direito. Ficava olhando o teto e pensando: ‘Meu Deus, não acredito que consegui construir uma casa como essa’”, conta. 

Com 65,7 metros quadrados, a casa é bem mais espaçosa do que a típica moradia da versão urbana do programa Minha Casa Minha Vida. Três quartos, sala, copa, dois banheiros e cozinha com azulejos, janelas e portas blindex. Foi construída em ritmo de mutirão. Maurício, que vive de bicos como pedreiro, já tinha erguido várias casas antes de construir a própria. Teve a ajuda dos filhos e da esposa, que trabalharam como serventes. “A emoção foi tanta que não consegui parar de chorar quando tudo ficou pronto”, afirma.

Entre os 250 mil pedidos que aguardam aprovação da Caixa está o da irmã de Claudirene. Hoje, é Claudiana Botelho que vive de favor, com o marido e dois filhos, na casa dos pais. 

“Queremos que a presidente cumpra a promessa e volte a operar o programa como nos anos anteriores”, diz Alair Luiz dos Santos, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Goiás (Fetaeg). “Essas pessoas também merecem morar decentemente para ter o estímulo a permanecer no campo e produzir o alimento que vocês comem na cidade”, diz.

Desde 2009, a Fetaeg já contratou 2.321 casas em 70 cidades goianas. Atualmente, 633 estão em obras. Só a federação, que é filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), entregou à Caixa mais de mil pedidos, incluindo o de Claudiana. “Todo mundo fica ligando para saber o que aconteceu e por que as contratações diminuíram”, diz Santos.

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