À espera da reunião do Copom, juro futuro oscila pouco

 Dúvida do mercado é se BC irá além do corte de 0,75 ponto na Selic

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

16 de abril de 2012 | 16h47

A agenda de indicadores desta segunda-feira, ainda que tenha reservado algumas surpresas, não conseguiu distanciar as taxas de juros mais curtas de perto dos ajustes. Isso porque, na visão dos agentes, o Banco Central, por meio da ata da última reunião do Copom e de seu presidente, Alexandre Tombini, já deixou muito claro que haverá um novo corte de 0,75 ponto porcentual da Selic na reunião que termina na quarta-feira, para 9% ao ano. A dúvida é se há espaço para a autoridade monetária ir além. O IBC-Br acima do esperado e o IGP-10 pior do que as expectativas dizem que não. Mas, por outro lado, a criação fraca de empregos pode levar o Copom a, pelo menos, buscar o piso histórico de 8,75% da Selic. Por isso, enquanto não veem o texto sobre a decisão do encontro desta semana, os investidores optaram por esperar.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (144.780 contratos) estava em 8,71%, de 8,70% no ajuste de sexta-feira. O DI janeiro de 2014, com giro de 200.090 contratos, subia para 9,14%, de 9,11% na sexta. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (27.415 contratos) indicava 10,26%, idêntico ao ajuste, e o DI janeiro de 2021 (6.715 contratos) marcava 10,75%, ante 10,73% na sexta-feira.

Dados aquém do esperado lá fora e aqui levam o mercado a manter parte de suas fichas na possibilidade de um novo corte da Selic após a reunião desta semana. Os dados do mercado de trabalho são um exemplo. O saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no País foi de 111.746 em março. Em termos dessazonalizados, de acordo com a Tendências, o número de vagas criadas em março foi de 97.344, ante 118.015 em fevereiro. Considerando esse ajuste, a consultoria salientou que a desaceleração do emprego formal na margem não se verificava desde outubro do ano passado.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou contração de 0,23% em fevereiro na comparação com janeiro, na série com ajuste sazonal, de acordo com dados do Banco Central. A despeito de ser o pior desempenho mensal desde outubro de 2011, o IBC-Br superou a mediana das expectativas do AE Projeções, que era negativa em 0,30%. Outro dado que impede o recuo das taxas é o IGP-10. O índice acelerou para 0,70% em abril, depois da alta de 0,27% em março.

No exterior, o índice Empire State de atividade industrial do Fed de Nova York recuou para 6,56 em abril, de 20,21 em março, ante previsão de queda para 17,5. Os EUA, por outro lado, também informaram que as vendas no varejo do país subiram 0,8% em março, na comparação com fevereiro, ante previsão de alta de 0,3%.

De volta ao âmbito doméstico, a pesquisa Focus, divulgada logo cedo pelo Banco Central, também recebeu atenção, mas sem alterar significativamente os preços dos DIs. Os analistas ouvidos pelo BC revisaram a previsão para o IPCA de 2012, de 5,06% para 5,08%.

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