AP Photo/Ahn Young-joon
AP Photo/Ahn Young-joon

Mercados internacionais fecham sem sentido único à espera de discurso do Fed

Presidente do BC americano disse que os juros permanecerão baixos e perto de zero por ainda mais tempo, mas anúncio esperado veio apenas quando boa parte das Bolsas já haviam fechado

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 07h00
Atualizado 27 de agosto de 2020 | 19h10

As Bolsas da Ásia e da Europa fecharam a maioria em queda nesta quinta-feira, 27, mesmo após dados chineses animadores e uma postura mais pessimista do banco central sul-coreano, e também na expectativa pelo discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que veio apenas quando as duas praças já estavam fechadas. Um resultado mais favorável foi visto em Nova York, após a fala de Jerome Powell.

Hoje, Powell finalmente anunciou a aguardada mudança de estratégia do BC dos EUA, que passará a adotar uma inflação média - ou seja, irá tolerar taxas acima de 2% por algum tempo para compensar períodos, como o atual, em que os preços ficaram abaixo disso.

Na prática, isso significa que os juros permanecerão baixos e perto de zero por ainda mais tempo, ainda mais com a revisão de queda para 31,7% do PIB americano para o segundo trimestre.

Já na China, os mercados acionários tiveram um dia positivo após números oficiais mostrarem que o lucro de grandes empresas do setor industrial do país deu um salto anual de 19,6% em julho, ganhando força em relação ao acréscimo de 11,5% visto em junho, em mais uma indicação de que a segunda maior economia do mundo continua se recuperando do impacto do coronavírus.  

Bolsas da Ásia

Os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 0,61% e 1,04% cada. Já o Kospi interrompeu uma sequência de quatro pregões em alta e caiu 1,05%, após o BC sul-coreano (BoK) piorar sua projeção de queda do Produto Interno Bruto (PIB) doméstico este ano, de 0,2% para 1,3%, e manter seu juro básico na mínima histórica de 0,5%. Pesou também nos negócios em Seul o recente aumento de casos de infecção por covid-19 na Coreia do Sul.

O japonês Nikkei recuou 0,35% em Tóquio nesta quinta, enquanto o Hang Seng cedeu 0,83% em Hong Kong e o Taiex registrou perda de 0,28% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana teve modesta alta, graças ao bom desempenho de ações ligadas a consumo. O S&P/ASX 200 avançou 0,16% em Sydney

Bolsas da Europa 

No velho continente, a espera pelo discurso foi grande, mas como ele só aconteceu quando as bolsas europeias estavam fechadas, quedas generalizadas foram registradas na região, onde o Stoxx 600 encerrou com baixa de  0,64%. A Bolsa de Londres caiu 0,75%, Paris recuou 0,64% e Frankfurt caiu 0,71%. Já MilãoMadri e Lisboa tiveram perdas de 1,44%, 0,45% e 0,44% cada.

Bolsas de Nova York

Em sintonia com a sinalização positiva do Fed, as Bolsas de Nova York fecharam a maioria em alta, com o S&P 500 tendo resultado positivo pelo quinto pregão seguido. O  Dow Jones terminou em alta de 0,57% e o S&P 500 subiu 0,17%, mas o Nasdaq perdeu 0,34%. Por lá, as ações do gigante varejista  Walmart saltaram 4,55%, repercutindo a informação de que a varejista se juntou à Microsoft, com ganho de 2,46%, nas negociações pela compra do TikTok.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa hoje, em sessão volátil, marcada por avaliações sobre os impactos do furacão Laura no setor. Além disso, investidores reagiram ao discurso do presidente de Powell -  na hora do pronunciamento, a commodity ganhou força, ficando próximo da estabilidade, mas depois voltou a se enfraquecer.

O contrato do WTI para outubro fechou em queda de 0,81%, a US$ 43,04 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para o mesmo mês caiu 1,21%, a US$ 45,09 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE). Hoje, o Commerzbank afirmou em relatório que nem o furacão conseguiu tirar o mercado de petróleo "de seu estado letárgico", apontando que furacões no Golfo do México têm influenciado mais o mercado de gás do que o do petróleo./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.