À espera de medidas, dólar tem leve alta

A expectativa por novas medidas do governo para frear a valorização do real manteve o dólar em leve alta ontem, em uma sessão com volume reduzido e poucas oscilações também no exterior.

REUTERS, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

A moeda norte-americana terminou o dia a R$ 1,718 real, com variação positiva de 0,23%.

"O mercado ficou meio receoso... De repente poderia sair um swap cambial reverso ou compras do Fundo Soberano. O volume se retraiu um pouco", disse o operador de derivativos de um banco nacional, que não quis ser identificado.

O volume de negócios registrados na clearing (câmara de compensação) da BM&FBovespa até pouco antes de 16h30 era de apenas US$ 1,3 bilhão, ante média diária de US$ 3,4 bilhões no resto da semana.

Na quinta-feira, uma fonte afirmou à Reuters que o Fundo Soberano poderia ser usado para comprar dólares "sem o mercado saber" e que talvez o Banco Central pudesse "entrar nas duas pontas", ou seja, complementar os leilões diários de compra com a oferta de contratos de swap cambial reverso.

O swap reverso funciona como uma compra de dólares pelo BC no mercado futuro. A medida seria uma forma de se contrapor à expressiva oferta de moeda por meio de derivativos na BM&FBovespa, onde os estrangeiros já venderam mais de US$ 13 bilhões em dólar futuro e cupom cambial (DDI).

Ontem, reportagem do Estado com uma fonte do governo afirma que o BC pode ainda aumentar o número de atuações por dia no mercado de câmbio, com uma sequência de vários "leilões-surpresa".O dólar acumula queda de 4,7% desde o final de junho. A bilionária oferta de ações da Petrobrás e diversas outras emissões de títulos são apontadas como a fonte de uma expressiva oferta de dólares no mercado local.

A resposta do governo ao fluxo de moeda para o país deve continuar como principal fator de definição da taxa de câmbio na próxima semana, avalia Jorge Knauer, gerente de câmbio do banco Prosper.

"Quando passar toda a entrada da Petrobrás pelo mercado, pode ser que a gente tenha um congelamento dessa tendência de queda. Pode até ser que volte um pouco, a R$ 1,75. Agora, se não for feito nada um pouco mais incisivo, a tendência de queda vai continuar", afirmou.

Nesta sessão, o BC seguiu o script dos últimos dias e realizou dois leilões de compra de dólares, um no meio e outro no final das operações. Desde o início da estratégia de dois leilões, no dia 8, as reservas internacionais já aumentaram US$ 4,8 bilhões, segundo o dado mais recente.

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