A estagnação atenua o desequilíbrio energético

Embora não esteja inteiramente afastado, o risco de racionamento de eletricidade nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste diminuiu. Como disse o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, o risco era de 6,1% no início de março e agora é de 4,9%. Com o limite mínimo de segurança fixado em 5%, a situação é menos desconfortável. As chuvas de fevereiro e março ajudaram, mas o fator decisivo foi a queda do consumo, de 1,8% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2014.

O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2015 | 02h02

Retração econômica, inflação, alta de tarifas e reprogramação de investimentos por empresas públicas e privadas explicam o menor consumo. Para o ministro, o menor risco de falta de energia na estiagem que começa em abril nas regiões mais desenvolvidas do País mostra que o sistema elétrico nacional está em melhor situação do que em janeiro, "quando diversos especialistas diziam que nosso sistema não era capaz de vencer o desafio".

Tivesse a indústria apresentado recuperação, as exportações reagido sob impulso da alta da cotação do dólar e a atividade econômica mantido o ritmo de 2014, haveria o que comemorar. Mas o quadro continua grave, revelam dados recentes da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Entre 1o e 30 de março, caiu 1,4% o consumo de eletricidade em relação a igual período de 2014 e a geração foi menos demandada.

A geração hídrica respondeu por 72,65% da produção total de energia no País, 2,2 pontos porcentuais menos do que em 2014. A demanda foi atendida por geração eólica, de usinas a biomassa e térmicas.

A alta na conta de luz dói no bolso dos consumidores residenciais, que começam a poupar, sem a necessidade de campanha oficial. No chamado mercado cativo, houve aumento ínfimo de 0,12% do consumo.

A energia comercializada no mercado livre para atender a indústria recuou 6,37%, puxada pelos setores de saneamento, bebidas e veículos. Ainda maior foi a queda nas empresas autoprodutoras, de 37% na geração e de 17% no consumo.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) reviu as projeções de consumo para o ano, de uma alta de 3,2% para uma queda de 0,5%: -4,4% no consumo industrial, +2,7% no comercial e +2,5% no residencial.

Resta saber como a retração do consumo influenciará os investimentos no setor elétrico e, ainda mais, como será sua repercussão na série de leilões para a geração de energia programados para o ano.

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