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''A estratégia não vai funcionar''

Em São Paulo, Roubini diz que os governos estão ?uma curva atrás dos problemas? e que a crise está piorando

Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

"O pior está por vir? Ou já passamos pelo pior?", pergunta Noriel Roubini, professor de Economia da Universidade de Nova York, conhecido como sr. Apocalipse, pelas previsões trágicas - e acertadas - que fez sobre a economia mundial."O pior ficou para trás", ele mesmo responde, para uma platéia de 300 executivos e empresários, reunidos ontem pela companhia de investimentos BTG, do banqueiro André Esteves e do economista Pérsio Arida, em São Paulo.A resposta é, porém, enganosa e o alívio é passageiro. Na prática, Roubini dá a entender que o pior pode estar por vir. Para Roubini, o pior ficou para trás quando se leva em conta o risco que o mundo correu de uma falência do sistema financeiro, logo após a quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro do ano passado. Naquele momento, os países ricos tentaram evitar um novo desastre por meio das garantias aos depósitos bancários.Mas Roubini diz que há um novo risco no horizonte. Para ele, a atual crise é mais complicada que a de 1930. Ao descrever a crise mundial, ele usou três letras. A princípio, disse, pensava-se que a recessão teria a forma de V, com queda e recuperação rápida. Crises anteriores em formato de V demoraram, em média, oito meses.Já não é assim. Os EUA já estão em recessão há 15 meses. O que poderia caracterizar uma crise em formato de U, que demora em média 24 meses. Para Roubini, porém, a economia mundial está cada vez mais próxima da letra L, o que indicaria uma depressão longa e perigosa."A estratégia atual não vai funcionar, grande parte dos bancos está em maus lençóis", disse. "Os formuladores de política econômica estão sempre uma curva atrás. Há risco de cairmos no penhasco." Se a estratégia dos países ricos funcionar, na melhor das hipóteses, a recuperação começaria em 2010, mas de forma tímida: um crescimento de 1% nos EUA.O Brasil não vai escapar da crise geral, mas está em condições melhores para enfrentar a turbulência. Para Roubini, o Brasil tem que tomar medidas corretas para enfrentar a crise, mas no fundo não vai dar muito resultado. "A recuperação não depende do que o Brasil fizer, mas da economia mundial."Mesmo assim, Roubini deu sua receita para a economia brasileira: aumento de gastos públicos, associado a medidas para garantir o equilíbrio fiscal a médio prazo. É uma maneira de tentar conter a crise, sem elevar a desconfiança do mercado e os juros pagos pelo País. "Os problemas são administráveis, mas é preciso ser cauteloso." Apesar do esforço, diz Roubini , a economia brasileira deverá registrar retração em 2009.Os outros palestrantes reunidos pelo BTG mantiveram o tom pessimista. Frederic Mishkin, ex-diretor do Fed (Banco Central americano), se apresentou como uma pessoa otimista. Mas perguntou: estamos a caminho de uma depressão mundial? "Todo dia fico mais pessimista." Pérsio Arida, um dos formuladores do Plano Real, já começou sua apresentação com sarcasmo: seria melhor ter aberto o evento com a distribuição de Prozac, remédio contra a depressão.

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