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A estratégia para a saída de Ilan do Banco Central

Desde o ínicio do governo Lula, os diretores do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, de Política Monetária; Ilan Goldfajn, de Política Econômica; e Beni Parnes, da Area Internacional, anunciaram ao novo presidente Henrique Meirelles, que queriam sair. O combinado foi de que o primeiro da fila seria o Figueiredo. Entre Parnes e Goldfajn não foi estabelecido claramente, no ínicio do governo qual sairia primeiro. Ao longo do primeiro trimestre, porém, com o nascimento do seu segundo filho, Goldfajn acabou dando limites mais estritos ao seu prazo de permanência. Há dois meses, foi decidido que ele sairia no ínicio de junho. Imediatamente, começou a mobilização para achar um substituto.A tarefa não foi fácil. Considerado por Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC, o melhor macroeconomista do País, e por Keneth Rogoff, economista chefe do FMI, "uma impressionante máquina de trabalho", Goldfajn que era visto pelo mercado como um esteio da política monetária de Lula, desde a saída de Armínio Fraga, da presidência do BC.A presença de Goldfajn era particularmente importante, tendo em vista que Meirelles, apesar das suas desenvolturas de autoridade e política, e inegável capacidade de executivo, não possui a formação acadêmica específica dos operadores de política monetária. A lupa do Governo voltou-se então, exatamente para o nicho de onde nasceu Goldfajn - o departamento da PUC do Rio de Janeiro. Eduardo Loyo e Afonso Bevilaqua são hoje exatamente, o que Goldfajn era quando chegou ao Banco Central: dois acadêmicos com destaque e forte formação macroeconômica de escolas de prestígio no Brasil e exterior. De acordo com uma fonte da equipe econômica, o fato de dois diretores terem sido chamados para substituir Goldfajn, atesta mesmo que o diretor demissionário, era importante na condução da política monetária depois da saída de Fraga. Definida a escolha dos substitutos, foi resolvido que o anúncio da saída de Goldfajn aconteceria há duas ou tres semanas. Entretanto, o ruído politico empresarial em função da reunião do Copom esta semana, fez com que se decidisse que o anúncio seria feito pouco depois dessa semana. Houve, porém, um vazamento, o que precipitou os fatos. Agora, Goldfajn está saindo em meio ao auge das pressões contra o Copom e, com as críticas do vice-presidente José Alencar, a equipe econômica percebe claramente que o desembarque do diretor de Política Economica está sendo feito de forma potencialmente prejudicial.Mas o dano já está feito, avalia a mesma fonte. Resta esperar que Afonso Bevilacqua e Eduardo Loyo estejam a altura dos desafios que os esperam.Para ler mais sobre as mudanças na diretoria do BC:» Ilan Goldfajn deixa o Banco Central e será substituído por Afonso Bevilacqua » Meirelles conta que pediu a Ilan para ficar durante a transição » Meirelles explica que não há decisão sobre redução do compulsório » Não foram os "ruídos" sobre juros que provocaram a saída, diz Ilan » Em artigos, Eduardo Loyo prega combate rígido à inflação » Como foi a estratégia do governo para a saída de Ilan do BC » Lula, Alencar e Dirceu não comentam » Saída de Ilan não provoca reflexos no mercado, diz Ciro Gomes

Agencia Estado,

22 de maio de 2003 | 10h27

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