A estreita banda larga

Imagine se a cadeia produtiva do Brasil dependesse ainda dos Correios, do telex, do fax, ou da telefonia convencional para se comunicar e realizar negócios.

Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

Lembre-se da época em que a espera por um sinal de discagem de telefone comercial era um teste de paciência, quase uma tortura.

Pois é. Se a nossa rotina pessoal foi obrigada a acompanhar conquistas tecnológicas a ponto de ultrapassarmos a marca de um celular por habitante, imagine as exigências do acelerado mundo dos negócios. Enquanto administramos o cotidiano particular com um celular na mão, no mundo profissional do trabalho, as nossas empresas ainda não dispõem da mesma eficiência tecnológica de banda larga de outros países globalizados.

Atualmente, para comprar matéria-prima, vender produtos, fazer a pós-venda, pagar impostos, pesquisar mercado e se comunicar com sua força de trabalho, as empresas dependem de uma infraestrutura de telecomunicações e, em particular, de uma banda larga rápida e eficiente.

Na verdade, o que os gestores de telecomunicações ainda não avaliaram bem é o quanto essa revolução silenciosa mudou a rotina do trabalho. Ainda este ano, 1 bilhão de profissionais no mundo utilizarão algum dispositivo móvel como ferramenta em sua jornada de trabalho. Sim, considerados os pilares do desenvolvimento econômico, as tecnologias da informação e comunicação (TICs) são fundamentais para o aumento da competitividade dos setores produtivos.

O avanço da globalização e a demanda por tomadas de decisões em espaços de tempo cada vez menores fazem das TICs ferramentas indispensáveis para empresas de qualquer porte.

Mas, ao contrário do avançado mundo digital, ainda estamos longe desse estágio: nossa banda larga ainda é lenta, cara e "estreita". E pensar que em 2000 as indústrias já apontavam a necessidade de se massificar o uso empresarial da internet, com impactos expressivos no desenvolvimento do País!

Por isso, adotamos a estratégia de reforçar a cobrança de investir no setor de telecomunicações, como forma de viabilizar ganhos de escala e de competitividade. Em fevereiro do ano passado, apontamos esse atraso tecnológico e, também, a assimetria entre os Estados quanto à disseminação da internet banda larga. Oito meses depois, manifestamos a insatisfação das empresas em relação à fraca velocidade da banda disponível.

Considerando, portanto, essa realidade nacional e o potencial impacto da expansão da banda larga sobre o crescimento econômico brasileiro, faz-se premente a existência de metas de atendimento específicas para o setor corporativo.

Assim, diante de estudos internacionais que comprovam os impactos econômicos positivos de uma banda larga de alta velocidade e, à semelhança do Plano de Banda Larga Popular, que ampliou a baixos custos o acesso domiciliar, nós, empresários, acabamos de propor ao governo federal o "Pacote Empresarial Essencial".

Elaborado pelo Sistema Firjan em parceria com 33 empresas do Rio de Janeiro, entre elas a Petrobrás, Coca-Cola, Eletrobrás, Shell, Merck, Souza Cruz, Ipiranga e Queiroz Galvão Óleo e Gás, esse "pacote" precisa ser incluído no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), assegurando ao Brasil oferta mínima compatível com sua importância econômica mundial.

Ele incluirá as empresas num plano empresarial de banda larga, oferecendo velocidade mínima de 15 mega (com garantia mínima de 20% da banda contratada) em 147 municípios que concentram 51% do total de indústrias do País e quase 40% da população nacional. Na verdade, é o coração do Brasil que não pode parar.

E tudo isso a custos competitivos com nossos concorrentes, ou seja, com parâmetro de preço internacional.

Afinal de contas, a banda larga de alta velocidade representa para o século 21 o que a energia elétrica foi para o século 19: a infraestrutura do progresso.

É PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO RIO DE JANEIRO (FIRJAN)

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