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A Europa antes da reunião do G-20

Com a aproximação da reunião do G-20, marcada para 2 de abril, os Estados, ou os grupos de Estados, se preparam para a batalha. É o caso da Europa. Galvanizada pela União Europeia, a Europa vai se manifestar a uma só voz frente aos Estados Unidos? Os europeus gostariam disso. Alguns até acham que o G-20 e a crise financeira devem marcar uma reviravolta decisiva na gestão do mundo ocidental. É a opinião do jornal alemão Suddeutsche Zeitung: "Durante anos os europeus tomaram como exemplo o modelo americano. Esse modelo não existe mais... E os europeus, de repente, se veem obrigados a fazer o que jamais ousaram antes: progredir sozinhos", diz o jornal.A eloquência do jornal é sedutora: nos Estados Unidos as coisas não estão funcionando. Além disso, os 27 países europeus não só formam o maior espaço econômico do mundo, mas também estão solidamente conectados uns aos outros, como alpinistas ligados por uma corda, no seio da União Europeia.O problema é que essa análise é equivocada. Na verdade, a UE foi sacudida pela crise financeira, a tal ponto que, há seis meses, fissuras, quase abismos, vêm se aprofundando na Europa. Claro que todos os membros da UE sofrem, mas os países ricos da região mais ocidental (França, Alemanha, Itália, etc.) não estão naufragando. Contudo, atravessando a antiga "cortina de ferro", auscultando os países do leste da Europa, os ex-satélites da União Soviética, vemos que os escombros se acumulam.Três desses países estão em plena derrocada. Esta semana, na República Tcheca, caiu o governo liberal de Mirek Topolanek. Na Hungria, o primeiro-ministro socialista Ferenc Gyurcsany foi destituído alguns dias mais cedo porque o "forint", a divisa húngara, está em queda livre. Ao norte, é a Letônia, cujo governo foi vencido após reduzir em 15% o salário dos funcionários e aumentar os impostos.Nos demais países do Leste Europeu, o desastre está cada vez mais próximo: na Lituânia, a polícia usa gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Na Eslováquia, o desemprego explode. Na Bulgária, os camponeses vão às ruas para aumentar o preço do leite. A Romênia tem um governo sólido, mas precisou de um empréstimo de US$ 20 bilhões do FMI para evitar a bancarrota.Há seis meses, ouvimos que a União Europeia permitiu que os 27 membros resistissem aos vendavais dos EUA, e que o modelo da UE permitirá ao Velho Continente reduzir a influência americana. Em parte é verdade. Mas a afirmação seria mais verdadeira se a crise não tivesse rachado o bloco, afastando as duas Europas, a velha e rica de um lado, a jovem e pobre do outro.Os países do Leste imaginavam contar com os ocidentais no caso de um golpe duro. Infelizmente, os europeus ocidentais não acharam boa a ideia. Assim, os antigos satélites da URSS andam amargos e melancólicos.Mas podemos nos tranquilizar. A UE não perde a coragem. Seus burocratas estão a todo vapor. Nas últimas decisões, retivemos algumas pepitas. O Camembert francês vai ser classificado entre os produtos com excesso de gordura, prejudicial à saúde. O bretzel, pãozinho austríaco belo como um arabesco, foi considerado muito salgado. Querem condená-lo à morte.E, mais grave ainda, no futuro, os funcionários da UE encarregados do setor agrícola serão obrigados a passar por um estágio numa fazenda. Uma boa ideia: ensinar aos "colarinhos brancos" de Bruxelas, pela experiência, que há quatro estações, que os ventos são caprichosos, que os campos têm cheiro de grama, estrume ou lilás. * Giles Lapouge é correspondente em Paris

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