A evolução do crédito não reflete recuo da atividade

O relatório do Banco Central (BC) sobre as operações de crédito do sistema financeiro no mês de junho é uma oportunidade para examinarmos se naquele mês, e neste, presenciamos uma desaceleração da economia, já que tanto as empresas quanto as famílias não se endividam sem necessidade.

, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

Os dados do BC e as informações complementares do chefe do Departamento Econômico da instituição mostram que a atividade econômica continuou robusta. O saldo das operações de crédito com recursos livres e direcionados, de R$ 1,529 trilhão, apresentou aumento de 2% no mês. O crédito livre cresceu de 30,2% do PIB, em maio, para 30,4%, e o crédito direcionado, de 15,1% para 15,3% - de um PIB estimado que cresceu 0,9% no período.

Esses dados globais não autorizam a falar de um recuo do crédito. No entanto, pode-se dizer que eles foram particularmente sensíveis à influência dos recursos direcionados, que representam 33,46% do total do crédito e nos quais dois setores têm peso muito alto: as operações do BNDES, com aumento de 2,1% em favor da indústria, e o crédito imobiliário, destinado às pessoas físicas, que cresceu no mês 3,5%.

O dinamismo da economia é certamente melhor avaliado quando se examinam apenas as operações de crédito do sistema livre, que outorga seus créditos com maior rigor do que o do crédito distribuído por organizações governamentais, que oferecem empréstimos a taxas de juros menores. No caso do crédito livre, seu volume (estoque) cresceu, em junho, 2,5% para as pessoas jurídicas e 1,9% para as pessoas físicas.

É preciso atentar para as concessões acumuladas no mês, cujo aumento foi de 4,6% para as empresas, enquanto acusavam queda de 0,5% para as famílias, o que poderia ser interpretado como um recuo da demanda. Mas convém lembrar que os dados não incluem os empréstimos imobiliários, que representam 27,5% do saldo dos empréstimos às famílias do setor livre: é normal que as famílias reduzam seus gastos adiáveis para pagar a prestação do crédito imobiliário.

Segundo as informações fornecidas pelo economista do BC Altamir Lopes, até dia 15 de julho as concessões do setor livre financeiro apresentaram aumento de 2,2%, sendo 2,4% para as empresas e 1,8% para as famílias. Essa evolução do crédito não reflete um recuo da atividade econômica, embora, num mês de férias escolares, uma parte das famílias dirija seus gastos para viagens turísticas ou compras no exterior.

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