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A evolução do setor de turismo na pandemia

Para contornar a crise, empresas misturam aventuras reais com experiências virtuais

Elaine Glusac , The New York Times

16 de novembro de 2020 | 05h00

As excursões sempre foram fundamentais nas viagens, mas a pandemia interrompeu as atividades de turismo. De repente, todas as experiências passaram a ser virtuais. No momento em que as viagens tradicionais começam a voltar, companhias de “tours” vêm encontrando outras formas de se adaptarem ao distanciamento social. 

Há empresas que complementam as experiências virtuais com itens reais: por exemplo, enviando chocolate para a casa das pessoas antes de uma degustação do produto a distância. Outras promovem aventuras reais perto da casa dos clientes, como passeios de caiaque. E há ainda aquelas que reduzem os grupos mesmo em viagens ao ar livre. 

Mesmo em destinos que estão voltando a abrir, algumas operadoras decidiram esperar antes de trocar totalmente o mundo virtual pelo real.

A Amazon mergulhou no modelo virtual com o lançamento de sua plataforma Amazon Explore. A gigante aplica sua experiência na área de compras à aquisição de suvenires. 

Em sessões individuais, viajantes de poltrona podem visitar um produtor de artigos de couro em Seattle, lojas vintage em Tóquio e uma loja de departamentos norueguesa, acompanhados de guias locais. Em muitos casos, artigos estão disponíveis para compra durante a experiência – via Amazon, claro.

Nem todos os “passeios”, porém, têm relação com compras. A empresa oferece aulas de tango com um instrutor em Buenos Aires e uma excursão a um cemitério em Nova Orleans.

Embora a Amazon seja há muito tempo uma ameaça para os pequenos varejistas, o novo serviço ajuda a ligar clientes a pequenas empresas no mundo todo. Atualmente, a Amazon Explore oferece 175 experiências diferentes, que custam entre US$ 10 e US$ 168.

Perto de casa

Com as viagens proibidas, os americanos procuraram diversões na vida real fora perto de suas casas, segundo a Peek, plataforma de gerenciamento de reservas para pequenas empresas, que oferece experiências como excursões em fazendas.

A companhia observou uma mudança para o que define como “férias de um dia”. Em junho e julho, 70% das reservas foram de pessoas residentes num raio de 240 quilômetros de distância, ante 50% no mesmo período de 2019.

As atividades mais na moda incluíram a procura de cogumelos selvagens em Santa Cruz, na Califórnia, e passeios noturnos de barco em St. Augustine, Flórida. “As pessoas não podem sair de casa e querem encontrar coisas para fazer na vida real”, disse Ruzwana Bashir, fundadora da Peek. Ela acrescentou que, em outubro, a companhia teve um recorde de reservas.

A fabricante de chocolate Dandelion Chocolate, de São Francisco, cliente da Peek, adaptou suas experiências online. Agora, oferece degustações de chocolate e fabricação de trufas, em que estão incluídas a remessa prévia de produtos aos participantes.

Fora de casa

O tráfego da plataforma 57 Hours, que põe viajantes em contato com guias de aventuras ao ar livre, também cresceu. Os serviços de guias começam a partir de US$ 80, para caminhadas ou prática de surfe por meio dia, variam de US$ 200 a US$ 300 para um dia inteiro de escaladas ou esqui em áreas desertas.

“Muitos guias que normalmente fazem viagens internacionais ou trabalham nos Alpes suíços agora estão em casa e, pela primeira vez, precisam fazer marketing de si mesmos”, disse Perica Levatic, cofundadora da companhia.

“Muitas vezes, o romantismo do que está distante pode nos impedir de ver o que temos em nosso quintal”, diz Greg Hill, esquiador profissional e guia da 57 Hours”. 

A empresa de culinária Traveling Spoon, uma rede de cozinheiros que abrem suas casas a viajantes para as refeições, também descobriu como retomar suas operações presenciais, com churrascos ao ar livre em Manila, nas Filipinas, piqueniques nos Açores e aulas de culinária em uma cozinha externa nas proximidades de Florença, na Itália.

Experiências na vida real

Para os que estão dispostos a dar um passeio pela cidade, mas ficam ansiosos para evitar outros viajantes, incluindo os guias, a Sherpa Tours usa narradores “avatares” e aumentou o uso de tecnologia da realidade virtual em itinerários baixados de um aplicativo móvel.

A tecnologia do GPS orienta os usuários de um local a outro onde aparece um avatar em sua tela do smartphone, discutindo o que é emblemático a partir de roteiros criados por especialistas locais, como historiadores, guias profissionais, arquitetos e escritores.

Durante 17 anos, a Context Travel aproximou viajantes a guias muito especializados, como arquitetos, historiadores e artistas em excursões privadas ou em pequenos grupos, em mais de 70 cidades em todo o mundo.

Quando a pandemia acabou com o setor de viagens, a companhia passou a vender rapidamente os tours virtuais online em uma série chamada Context Conversations, com leituras de 90 minutos sobre temas culturais – como a música da Irlanda e o festival hindu da luz chamado Diwali – com especialistas na área.

“Nossa principal diferença é oferecer excursões acadêmicas para os intelectualmente curiosos ou para pessoas que gostam de aprender a vida toda”, disse Evans Frank, diretor executivo da Context Travel.

Online, as Conversations – cerca de 600 até o momento – usam muitas vezes as locações como trampolim para investigar temas como as mulheres do movimento do Renascimento do Harlem nos anos 1920, a história cultural do chá verde japonês e os retratos como propaganda da época dos Tudors, na Inglaterra do século 16.

“Em comparação com as viagens guiadas presenciais é um pouco mais profissional”, disse Marie Dessaillen, historiadora da arte e guia da Context em Paris. “Você não pode adivinhar se os clientes estão entendendo, mas fica logo sabendo na sessão de perguntas e respostas.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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