A evolução insatisfatória dos investimentos fixos

Para crescer 4% ao ano, de maneira sustentada, o País precisaria investir mais do que os 18,5% a 19% do PIB que investe atualmente. E não faltam indicadores de que é lenta a evolução da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - a taxa de investimento.

O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h06

No setor privado, a principal explicação para a parcimônia dos investimentos é a incerteza com relação ao futuro e a lucratividade insatisfatória, salvo em alguns setores e empresas. Com a economia em marcha lenta, as empresas evitam comprometer o capital a longo prazo, sem segurança quanto ao retorno. Na prática, só investem quando dispõem de recursos subsidiados, mas o fato é que muitas companhias preferem adiar a construção de fábricas ou a aquisição de máquinas e equipamentos.

Do lado do setor público, os investimentos das estatais de fato aumentaram, entre 2012 e 2013, de R$ 97,9 bilhões para R$ 113,5 bilhões, segundo o Ministério do Planejamento. Mas a alta foi muito concentrada na Petrobrás e na Eletrobrás. Como proporção do PIB, os investimentos das estatais federais, calculados pelo departamento de empresas estatais (Dest), foi de apenas 2,4%.

Estimativas da LCA Consultores relativas ao quarto trimestre de 2013, divulgadas nesta semana, dão conta de que a FBCF caiu 0,9% em relação a igual trimestre de 2012, e declinou ainda mais (4,5%) em relação ao trimestre anterior, em termos dessazonalizados. É uma indicação de que o objetivo de retomar os investimentos, neste ano, não será fácil. Confirmada a queda, este será o terceiro ano consecutivo de investimentos baixos, ou pouco superiores aos do ano anterior, ainda que em algumas áreas, como a dos investimentos em infraestrutura rodoviária e em Parcerias Público-Privadas (PPPs) regionais, tenham ocorrido avanços.

O grande responsável pela fraqueza dos investimentos é o governo, seja pela incapacidade dos seus órgãos responsáveis por investir, seja pela falta de licenças ambientais, seja pela ausência de projetos de qualidade. A existência de 12% de obras paradas no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), apontada pelo Tribunal de Contas da União, é um exemplo do atraso. O mesmo se aplica às obras da Infraero, cuja entrega está atrasada.

Ou seja, o governo perdeu três anos tentando despertar a confiança dos empresários e impor um padrão mínimo de eficiência aos Ministérios. Não parece ter tido sucesso até agora.

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