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A expansão de crédito sem aumento da inadimplência

A China está preocupada com o aumento do crédito, que foi de 11,1% no primeiro semestre. No caso do Brasil o volume de crédito cresceu 9,5% no mesmo período, mas 19,2% nos últimos 12 meses. O Banco Central calcula que a expansão será de 22% neste ano. É preocupante, pois a expansão do crédito está criando poder aquisitivo artificial que pode desaguar em inadimplência e em crise econômica.

, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O paradoxo é que, no Brasil, ela foi acompanhada de redução da inadimplência. Esse paradoxo se explica pelo aumento da renda, a elevação das operações de crédito consignado, a ligeira redução da taxa de juros e a participação excepcional do BNDES no crédito numa economia em grande expansão. Cabe acrescentar que a expansão do crédito está no início. Porém é bom atentar para o seu rumo, pois a conjuntura pode mudar.

O total do crédito, em agosto, chegou a representar 46,23% do PIB, ante 43,3% um ano atrás, tendo participação predominante dos bancos públicos, com 19,5% do PIB, acima dos bancos privados nacionais, com 18,8%, e dos bancos estrangeiros, com 8,1%. O crédito oficial está ganhando terreno, o que pode criar problemas em face da insuficiência de capitalização dos bancos públicos.

No mês de agosto, na margem, o saldo das operações de crédito apresentou crescimento de 2,2%, com 1,9% para as pessoas físicas (PFs) e 2,5% para as pessoas jurídicas (PJs). O crescimento no caso das PJs teve origem no forte crescimento dos recursos direcionados, em que se destaca o BNDES, com 3,8% de aumento na oferta de crédito. No caso das operações de crédito referenciais para taxa de juro, verifica-se que as concessões acumuladas no mês apresentaram aumento de 3,3%, para PJs, e de 4,8%, para PFs.

Houve redução das taxas de juros para as PFs (de 40,5% para 39,9% ao ano), enquanto as das PJs passaram de 28,7% para 28,9% ao ano.

O consumo das famílias foi estimulado, paralelamente, com o aumento do crédito para habitação, que em agosto cresceu 3,9% e, nos 12 últimos meses, 51%, evolução que merece muita atenção das autoridades monetárias.

Por enquanto não existe um problema de inadimplência, que ficou em 3,6% para as PJs e se reduziu de um ponto porcentual no caso das PFs, com 6,2% do total dos créditos. Temos de levar em conta, porém, o aumento das emissões de bônus corporativos no mercado internacional e o crescimento do endividamento das famílias, que se acrescenta ao crédito bancário.

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