A expansão dos cartões e o aumento dos riscos

O segmento de cartões de crédito e de débito continua a crescer em ritmo muito superior ao da economia, mas o uso racional desses instrumentos deixa a desejar. Além de os consumidores aceitarem custos exagerados, como ocorre no Brasil, uma pesquisa da ACI Worldwide, empresa global de soluções de segurança, mostra que os usuários de cartões - e não só os brasileiros - utilizam o instrumento com displicência, sujeitando-se a prejuízos.

O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2014 | 02h04

A postura leniente é incompatível com a expansão desses instrumentos financeiros no País. O número de transações com os dois tipos de cartões cresceu 14,3% em janeiro, em relação a janeiro de 2013, atingindo 806,9 milhões, recuou um pouco em fevereiro e chegou a 812,3 milhões em março - alta de 7,4% em relação a março de 2013.

O faturamento das empresas de cartões cresceu ainda mais: 20%, em janeiro; 23,7%, em fevereiro; e 11,2%, em março, relativamente aos mesmos meses do ano passado. A expansão mais rápida é dos cartões de débito, comparativamente aos de crédito.

Os cartões de crédito, quando utilizados na função empréstimo, são campeões na cobrança de juros: em média, o custo foi de 10,52% ao mês (ou 232,12% ao ano) em maio, segundo a pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). É a mais alta das taxas ativas do sistema financeiro. Só descuidados tomam empréstimos a esse custo.

Esse descuido também aparece no tocante à segurança. Nos últimos cinco anos, os titulares de cartões correram riscos desnecessários, como deixar o smartphone sem bloqueio de tela; responder a e-mails em que são solicitados dados bancários; acessar o internet banking ou fazer compras online em computadores compartilhados; jogar no lixo papéis com dados bancários ou de cartões de débito e de crédito; e anotar as senhas nos porta-cartões ou em papéis carregados junto com o instrumento. A vida dos criminosos tornou-se, assim, mais fácil.

A pesquisa da ACI, feita em 20 países com 6,1 mil consumidores, mostrou que 63% dos entrevistados admitiram ter usado o cartão em situações de risco. E, no Brasil, 30% dos usuários já foram vítimas de fraude, ante 41% nos Estados Unidos e na Índia, 42% na China e 44% nos Emirados Árabes Unidos.

No Brasil, a maioria das fraudes ocorre quando os cartões são usados pela internet.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.