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A exportação espelha as condições de produtividade

Não é preciso ser o campeão de novas tecnologias, mas é preciso ter condições de adaptar, fazer inovações e saber utilizar

Lia Baker Valls Pereira*, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2020 | 05h00

As exportações da indústria de transformação recuaram em valor (-8,5%), volume (-3,4%) e preços (-5,3%), segundo o ICOMEX (Indicador de Comércio Exterior elaborado pelo FGV IBRE). O menor crescimento da economia mundial e a crise na Argentina contribuíram para esse resultado. Essa queda, porém, levanta questões que vão além de fatores conjunturais, sendo a principal o tema da competitividade/produtividade. A produtividade da indústria de transformação caiu 0,9% entre 2013 e 2018, e cresceu na agropecuária em 7,1%, segundo informação do Observatório de Produtividade do FGV IBRE. O último dado que compara o 3º trimestre de 2019 com o 3º trimestre de 2018 mostra que essa tendência da indústria não mudou: houve queda de 2,3%. Em primeiro lugar, portanto, o aumento da oferta das exportações depende dos fatores que afetam a produtividade, e a lista é conhecida – reformas que afetam diretamente o custo de produção das empresas, como a tributária e a das tarifas de importações. Essa última deve permitir o barateamento dos custos dos insumos e dos bens de capital importados. Em segundo lugar, melhoras no ambiente físico e institucional em que as empresas operam para reduzir custos de transação: investimentos em infraestrutura que melhorem os canais de escoamento dos produtos e medidas de facilitação de comércio que diminuam os custos com procedimentos administrativos pouco eficientes.

Algumas dessas medidas, em especial as de facilitação do comércio, já estão em curso e têm sido aprimoradas nos últimos anos. No entanto, aumentar a participação no comércio mundial de manufaturas onde a presença dos produtos brasileiros não ultrapassa historicamente 1% exige estar presente nos fluxos mais dinâmicos, aqueles em que a demanda mundial cresce em volume acima da média mundial. Nesse caso, estamos falando dos produtos de alta e média tecnologia que possuem um conteúdo elevado de serviços embutido. Não se trata de escolher setores/empresas e nem de distribuir subsídios que protegem muitas vezes ineficiências de empresas. É preciso assegurar as bases que sustentam o aumento da produtividade via educação, pesquisa e desenvolvimento. Não é preciso ser o campeão de novas tecnologias, mas é preciso ter condições de adaptar, fazer inovações e saber utilizar. As políticas públicas de educação, ciência e tecnologia são cruciais para o aprimoramento da oferta exportável no Brasil.

*É pesquisadora associada do FGV IBRE e professora da UERJ/FCE, com pós graduação em Relações Internacionais

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