seu bolso

E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

A face ecumênica da Ata do Copom

Tem caráter ecumênico a Ata da reunião de 16 e 17 de abril do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada ontem, em que foi decidido o aumento da taxa básica de juros de 7,25% para 7,5% ao ano.

O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2013 | 02h06

O texto mescla preocupações da hora com a inflação com a crença de que a economia voltará a crescer. E, com habilidade, trata da inflação "prospectiva" - leia-se, a inflação do ano que vem -, respaldando-se em que os efeitos de uma elevação, ou diminuição, do juro básico afetam a economia real com defasagem da ordem de nove meses.

Para analistas preocupados com o risco inflacionário, a ata registra a inflação de 6,59% em 12 meses, até março, avalia que "o nível elevado de inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária", mas enfatiza que as incertezas internas e externas recomendam administração "cautelosa" da política monetária.

Por isso, em contraste com as declarações do diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, que tem "a convicção de que o Copom poderá ser instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária" (leia-se, maior aumento dos juros), os analistas acreditam que o juro básico subirá a conta-gotas, à razão de 0,25 ponto porcentual por reunião do Copom. Foi o que previram os economistas-chefes dos Bancos Itaú e Bradesco, após a divulgação da ata. A afirmação de que o Copom deve se manter "especialmente vigilante" não foi tida como indício firme de altas maiores.

Um esforço especial dos redatores da ata foi feito com relação à política fiscal. O texto fala do "balanço do setor público em posição expansionista" - ou seja, o governo gasta mais. Mas o Banco Central trabalha com a hipótese de geração de superávit primário de R$ 155,9 bilhões, em 2013, e de R$ 167,4 bilhões, em 2014. Como superávits dessa magnitude parecem inviáveis, isso apenas evidencia a capacidade de contorcionismo do Banco Central.

Mas a ata provavelmente não caiu no agrado da presidente Dilma Rousseff, ao destacar a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, com o risco "significativo" de concessões de aumentos de salários "incompatíveis com o crescimento da produtividade", que repercutiria negativamente na inflação. O significado é claro: a baixa produtividade é incompatível com a política de aumento do consumo.

Tudo o que sabemos sobre:
Editorial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.