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A Fazenda sob o PMDB

Quando o PMDB lançou o documento “Ponte para o Futuro”, esse programa econômico soou como música aos ouvidos de investidores e empresários ansiosos por correção nos rumos da condução da economia do governo Dilma Rousseff, considerada desastrada.

Fábio Alves, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2016 | 05h00

Agora que o mercado financeiro aposta que o impeachment da presidente é inevitável, à medida que se aproxima a votação no plenário da Câmara dos Deputados, neste domingo, uma dúvida é crescente: um eventual governo Michel Temer terá força para aprovar as medidas do seu programa econômico com uma base de apoio parlamentar mais coesa ou sofrerá com uma coalizão tão fragmentada e infiel como tem sido a da presidente Dilma?

A preocupação procede, dadas as negociações nos bastidores, tanto pelo governo quanto pelos defensores do afastamento da presidente Dilma, pelo voto de vários partidos no processo de impeachment, como o Partido Progressista (PP). Ou seja, um eventual governo Temer será o da “Ponte para o Futuro” ou o de uma concertação com uma base aliada de interesses diversos?

Por enquanto, a visão que prevalece entre investidores é que um eventual governo Temer conseguirá fazer uma reaglutinação partidária, isto é, alinhavar um núcleo de apoio parlamentar mais sólido e, com isso, adotar vários ajustes e reformas previstos naquele documento que se tornou plataforma para seu programa econômico.

Para além da ameaça das investigações da Operação Lava Jato de atingir caciques do PMDB, minando âncora política de Temer, há outros riscos ao cenário de ajuste que o peemedebista precisaria anunciar de imediato.

O primeiro está associado à sustentação política a essas medidas, afinal, ajuste macroeconômico tem um custo, e essa fatura pode ser mais salgada tendo o desemprego e a recessão como pano de fundo, especialmente para um presidente que não foi eleito pelo voto. A reação dos movimentos sindicais e sociais, além de partidos que passarão para a oposição, como o PT, poderá gerar ruídos graves.

O segundo é o de que, para ganhar legitimidade, Temer precisaria adotar essa agenda de reformas o mais rápido possível. Se o Senado aceitar a abertura do processo de impeachment de Dilma, o que levaria ao afastamento dela do cargo por 180 dias, Temer teria de tentar implementar medidas impopulares enquanto espera o julgamento final sobre o impedimento da presidente pelo Senado.

A escolha do seu ministério será fundamental para conquistar a confiança de investidores e empresários e tentar minimizar um déficit de legitimidade.

Crucial será a definição do novo ministro da Fazenda. Entre os nomes mais cogitados na bolsa de apostas, estão o do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o do senador José Serra (PSDB-SP), relembrando até o embate entre monetaristas e desenvolvimentistas na era Fernando Henrique Cardoso. Os monetaristas defendiam, entre outras ideias, um Estado menor e um combate à inflação mesmo que à custa da atividade econômica, enquanto desenvolvimentistas adotavam postura heterodoxa na condução da economia, com maior intervenção estatal e juros mais baixos para estimular investimentos.

Com Fraga, o choque de confiança seria imediato e significativo. Mesmo se, na ausência de aprovação de medidas necessárias, como a reforma da Previdência e a desvinculação de receitas, ele conseguir apenas retomar uma gestão econômica racional, algo que se perdeu com a Nova Matriz Econômica de Dilma.

José Serra era o principal nome da corrente desenvolvimentista na era FHC. O senador é considerado um economista competente e, acima de tudo, responsável em termos fiscais. E, em comparação com tudo o que foi feito pelo governo Dilma na economia, ser tachado de desenvolvimentista é um pecado menor. 

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