A filha de boia fria que conquistou o mercado de doces

Parece roteiro de filme, mas é a realidade. Filha de boia fria, sem curso superior e nenhuma experiência em varejo, Cleusa Maria, em pouco menos de 20 anos, criou uma rede com mais de 160 lojas e que é referência na fabricação e venda de bolos artesanais no Brasil, a Sodiê Doces. "Nosso diferencial é ter um produto de alta qualidade por um preço justo. Os bolos são feitos no dia, trabalhamos com produtos frescos, não usamos nada congelado", simplifica a empreendedora.

O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 03h14

O começo, claro, foi complicado e de certa forma fortuito: atendeu a um pedido de uma ex-chefe para assar bolos, sem nunca ter preparado um doce do tipo na vida. Aceitou o convite e tomou gosto pelo forno. Nos próximos dois anos teve de conciliar o emprego diurno com a produção caseira. Na hora do almoço, ela ia para casa e assava a massa. Na parte da noite montava os doces e, no dia seguinte, antes do trabalho, entregava a encomenda. "Trabalhava de madrugada, até duas da manhã", lembra. "Meu filho dormia debruçado na mesa ao meu lado."

Com o sucesso dos bolos, Cleusa tomou coragem e resolveu abrir uma pequena loja. "Aluguei 20 metros quadrados", lembra. Certo dia, um cliente assíduo, que se deslocava de São Paulo até Salto para comprar bolos, perguntou o motivo de ela não transformar o negócio em uma franquia. "Eu nem sabia o que era isso", conta. Para descobrir o que era, Cleusa procurou a Associação Brasileira de Franchising (ABF) e decidiu que a ideia poderia, de fato, ser uma boa alternativa para seu negócio.

Crescimento. Desde então, a empresa só cresceu, a ponto de não comercializar lojas para novos franqueados na cidade de São Paulo. "Fechamos o mercado para novos, mas os antigos ainda devem abrir mais unidades. Achamos que seria justo deixar eles ocuparem esse espaço", afirma, revelando no apreço pelos parceiros e consumidores um dos motivos para que se tornasse referência em bolos artesanais no Brasil. "A Sodiê tem um investimento muito alto, por isso, temos um cuidado para que uma loja não atrapalhe a outra, para que elas sejam rentáveis para o franqueado e boas para os clientes."

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