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A força da Bolsa

A Bolsa brasileira vai tendo excelente desempenho neste ano. Apesar da leve baixa de ontem, o Índice Bovespa, que mede a valorização das 65 ações mais negociadas no mercado, fechou ontem nos 51.792 pontos. É o nível que aponta uma valorização de 9,5% em maio, 37,9% neste ano e está a 42% do seu nível histórico mais alto, alcançado em maio de 2008.Os analistas desdobram-se para saber até onde vai essa força. Mas a corda está sendo puxada para os dois lados. O primeiro fator que pressiona em direção a uma retração do mercado de ações é quase uma reação mecânica: vai cair porque subiu rapidamente demais. Em todo caso, é difícil saber o que é demais ou de menos quando o assunto é preço de ações numa conjuntura de crise financeira global. Ninguém garante que o fundo do poço foi ultrapassado. A qualquer momento um grande banco pode ter problemas e já não se vê a mesma confiança no dólar. Em outras palavras, se houver uma recaída séria da crise, as bolsas, inclusive a brasileira, sofrerão.Outro argumento que conspira contra o avanço da Bolsa é o comportamento do setor produtivo neste ano. Apesar do bom desempenho do consumo interno, o PIB da economia brasileira converge para perto do zero por cento e, assim, as empresas poderão ter resultados fracos.A política também joga contra. Há uma CPI da Petrobrás rolando no Senado e, no vale-tudo eleitoral, qualquer coisa pode ocorrer. Denúncias graves ameaçam sair de algum buraco e, mesmo sendo inconsistentes, têm potencial para produzir estragos.Mas a pressão na outra ponta da corda talvez seja mais forte. Há dinheiro demais rolando pelos mercados. Os capitais do Hemisfério Norte passaram muito tempo entocados com medo da crise e vivem um clima de primavera, mais predispostos ao risco.Ao mesmo tempo, consolida-se a percepção de que a economia dos emergentes (a do Brasil entre elas) sairá mais forte da crise e já mostra descolamento positivo em relação às economias mais avançadas. É o que ajuda a explicar por que as aplicações líquidas de estrangeiros na Bolsa brasileira neste ano alcançaram US$ 4,4 bilhões até 22 de maio.Enfim, mais dólares podem amarrar-se a ações de empresas brasileiras e isso nem precisa entrar no Brasil. A Bolsa de Nova York tem tudo para negociar um volume maior de ações brasileiras do que a Bolsa de São Paulo, como já tem acontecido.A queda dos juros por aqui empurra ainda mais o aplicador brasileiro para a renda variável. É um movimento que não está restrito às pessoas físicas. Os fundos de pensão, por exemplo, que têm um patrimônio de R$ 450 bilhões, já não conseguirão produzir o mesmo desempenho do passado graças ao alto peso dos títulos de renda fixa em suas carteiras. Daqui para a frente, suas metas atuariais só serão cumpridas com aumento dos investimentos em renda variável (ações e debêntures conversíveis em ações).Se alguma conclusão se pode tirar é a de que os fatores positivos parecem prevalecer. O problema é que, num mercado tumultuado e tão sujeito a turbulências, o tempo bom pode virar de repente. A Bolsa pode continuar sendo uma boa aposta, mas apenas para quem estiver disposto a apanhar também chuva forte. CONFIRAO homem falou - Pela primeira vez, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, admitiu que o governo pode instituir um Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de dólares.Apesar das ressalvas, a declaração é importante. No mínimo, mostra que o Banco Central se incomoda com a forte valorização do real. E fica admitido que as intervenções podem não se limitar a compras "para recompor as reservas e evitar excessivas oscilações".O problema é que essas restrições dificilmente funcionam numa economia aberta como a brasileira.

, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

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