A força das exportações

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A força das exportações

O resultado da balança traz mais indícios de que a recuperação está a caminho

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2017 | 21h00

O resultado da balança comercial (exportações menos importações) nestes dois primeiros meses de 2017 não deve ser visto como um fato isolado positivo. Traz mais indícios de que a recuperação está a caminho.

O superávit acumulado no ano atingiu US$ 7,3 bilhões, 84,1% a mais do que o obtido em igual período de 2016. Desta vez, não se pode insistir em que o fator relevante para o avanço do saldo tenha sido apenas a recessão interna, que achatou as importações. As exportações no bimestre aumentaram seu fluxo em 20,5%. Mas as importações, embora menos, também cresceram: 9,2%, sobre as de 2016. Ou seja, o consumo interno está aumentando, o que é bom indício de retomada.

Os novos números vão exigir revisão das projeções do resultado do comércio exterior: US$ 44 bilhões pela definição do Banco Central e de US$ 47,65 bilhões pelo mercado (Pesquisa Focus).

 

Saltam informações das estatísticas deste bimestre ante o mesmo período em 2016. Uma delas é o excelente resultado das exportações de produtos básicos: aumento de 38,1%. Isso tem a ver não apenas com o avanço do volume, mas, também, dos preços, especialmente do minério de ferro, cuja tonelada ganhou, em dólares, 77% sobre os níveis de há um ano.

Esse impulso das vendas de commodities foi produzido por dois outros fatores. O primeiro é o aumento da produção agrícola e seu embarque mais cedo do que nos anos anteriores. O agricultor brasileiro está conseguindo, por exemplo, antecipar a colheita e a exportação de soja. Em fevereiro, faturou com esse produto, em dólares, o dobro do que em fevereiro de 2016.

Outro fator positivo são as exportações de industrializados. Cresceram menos do que as dos produtos básicos, mas cresceram 7,7%. Não é pouco, levando-se em conta o enfraquecimento do dólar em reais no câmbio interno, que tirou competitividade do produto industrializado do Brasil.

Alguém poderia argumentar que a indústria procura exportar o que não encontra mercado por aqui e que, portanto, o fator relevante a considerar é a recessão e não o dinamismo do setor. Pode ser, mas a recessão está por aqui há três anos e só agora se vê essa boa reação.

Esses números não mostrariam o mesmo dinamismo não fossem empurrados pelo bom aumento da demanda externa. Crescem os sinais de que a economia mundial começa a decolar. Tanto os Estados Unidos como a área do euro estão crescendo neste ano algo acima de 1,5% e isso contribui para o aumento de encomendas ao Brasil.

Falta dizer alguma coisa sobre o expressivo aumento, de 15,4%, da corrente de comércio, que é a soma de exportações e importações. É um dado que tem impacto relevante sobre a prestação de serviços. Mais comércio é mais movimento portuário, mais transportes, mais demanda por armazenagem, por seguros e assim vai.

O resultado de apenas dois meses pode ser insuficiente para projetar o desempenho do ano, mas ele vem com mais força, não apenas em aumento do volume (tonelagem), mas, também, de faturamento em dólares.

O Brasil é ainda um país muito fechado. As exportações pesam apenas cerca de 12% no PIB, mas mostram que podem ajudar a deixar a crise para trás.

CONFIRA:

O gráfico mostra como evoluíram as exportações de produtos básicos e de industrializados nos últimos quatro meses.

Recado do Copom

Desta vez, a Ata do Copom, um dos mais importantes instrumentos com que conta o Banco Central para passar seu recado aos formadores de preços, não apresentou nenhuma indicação dos próximos passos. Nada sugere cortes diferentes de 0,75 ponto porcentual por vez. Falta saber quando termina o ciclo de afrouxamento e em que nível de juros.

 

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