A força do agro
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A força do agro

O setor tem sido fundamental nos últimos anos para o crescimento da economia brasileira

Celso Ming*, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2022 | 20h01

Apesar de alguma quebra das safras de grãos em consequência da estiagem no Centro-Sul e no Sul, o agronegócio deve ser o único grande setor da economia a apontar crescimento expressivo neste ano condenado à magreza do Produto Interno Bruto (PIB).

Com algum recuo em relação às anteriores, a estimativa de produção nacional de grãos divulgada nesta quinta-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam para 268,2 milhões de toneladas, crescimento de 5% em comparação com a safra anterior. 

Os números do  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a outra instituição que se encarrega dos levantamentos, divergem alguma coisa, mas acompanham a tendência apontada pela Conab. Preveem produção de 271,9 milhões de toneladas, avanço de 7,4% sobre a safra anterior.

Essas estatísticas correspondem ao resultado físico em toneladas. A produção menor do que a inicialmente esperada poderia ter impacto negativo não só sobre a renda do produtor, mas sobre as receitas com exportações. No entanto, essa mesma quebra da produção em relação à estimada vem produzindo expressivo aumento das cotações internacionais dos grãos. Neste início do ano, em Chicago, os preços da soja subiram 17% e os do milho, 8%.

Com isso, o efeito negativo provocado pela estiagem deverá ser compensado com aumento de receita e, assim, ajudar a sustentar todo o PIB (que é renda) deste ano em terreno ainda positivo, possivelmente em torno de 0,5%.

Velha mentalidade enraizada no Brasil entende que desenvolvimento agrícola deve ser visto como menos desejado em relação ao industrial, porque se baseia na obtenção de produtos primários, de valor agregado relativamente baixo, na insuficiente incorporação de tecnologia e no baixo dinamismo no emprego de mão de obra. Mas essa mentalidade começa a ser revista no refrão martelado na TV de que “agro é tech, agro é pop, agro é tudo”.

É cada vez maior o emprego de tecnologia de ponta não só na mecanização da agricultura, mas, também, no manejo da terra, no uso de insumos e no desenvolvimento genético de sementes. Em 2021, o setor gerou 140,9 mil postos de trabalho diretos. Mas são as atividades de apoio à agricultura, diretamente ligadas à inovação e tecnologia e ao setor de serviços, que estão entre as que mais se destacaram na criação de vagas. São atividades de assistência técnica, informática, armazenamento, transportes, processamento da produção, construção civil, etc.

Até agora não foi feito levantamento abrangente sobre a contribuição direta do agro para o desenvolvimento dos serviços, o maior setor produtivo do Brasil, hoje responsável por mais de 70% do PIB. Mas a vida do interior mostra essa força. 

*CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA

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