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A formação em TI

A tecnologia da informação está presente em todas as áreas da economia, dando suporte a processos dos mais simples aos que geram incontável volume de dados. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), até 2020 o segmento precisará de 750 mil novos profissionais para alcançar a meta de elevar sua participação no PIB do País para 6,5%.

O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2014 | 02h13

Esse cenário preocupante comprova que a oferta de especialistas em TI cresce de modo muito mais lento do que a demanda, tornando esse gap cada vez maior. A formação acadêmica é o caminho para a solução?

Essa formação é muito complexa. Além do conhecimento tecnológico, que deve abarcar a constante inovação e integrar as ferramentas e tecnologias que aceleradamente surgem no mercado, torna-se cada vez mais importante e diferenciador a formação e o desenvolvimento das habilidades humanas, os chamados soft skills. São, sem dúvida, o maior desafio enfrentado pelas empresas com os profissionais das gerações X e Y. Segundo as contratantes, técnica pode ser ensinada, já as questões humanas, nem sempre.

O terceiro ponto desafiador é a qualidade de ensino. Há, sim, inúmeras vagas, mas também inúmeras pessoas disponíveis no mercado que não preenchem os requisitos básicos para as oportunidades.

Tendo em vista nosso cenário, cabe às instituições anteciparem-se às tendências de TI e isso não é algo futuro, é para já. Além das questões técnicas, também há necessidade de abordagem das habilidades humanas. Liderança, gestão, relacionamento e habilidade para lidar com conflitos, aceites e negativas são alguns deles, que devem estar imersos no dia a dia acadêmico das faculdades de TI. E vale lembrar que abordagens pontuais, em palestras, por exemplo, não são suficientes. Estudar ética é chato, vivê-la, não. Ser reconhecido por essas habilidades é engrandecedor e motiva os alunos.

Simultaneamente, as empresas também têm seu papel. A reclamação vinda desse setor faz sentido, mas a mudança não vai existir com o esforço de um só lado. As parcerias entre universidades e empresas precisam ir além das palestras e da liberação de softwares para estudo, é preciso ter interação, conversas e projetos mais elaborados.

Isso abre portas aos dois lados, com debates de questões importantes para companhias e experiência para os alunos. Ainda, provê correções imediatas, com as organizações apontando melhorias no conhecimento dos alunos em ambiente ainda mais seguro do que um estágio - também de suma importância. Tal interação é fundamental para evoluirmos no preparo de profissionais de tecnologia no País.

Vale lembrar, ainda, que a formação de um profissional não acaba com o término do curso. Além da graduação, a formação continuada também é um desafio a ser superado. Isso é resolvido em parte no âmbito acadêmico, com cursos de extensão e pós-graduação, porém, esse ponto só estará integralmente sanado com a participação da empresa. O dia a dia é uma grande escola e as companhias que investem na capacitação de seus profissionais estão um passo à frente no mercado.

Em suma, a solução para o "problema" da formação em TI é sim da universidade, mas não apenas dela. É imprescindível que o mundo corporativo auxilie no desenvolvimento do profissional que deseja. O mercado precisa compreender que o ambiente acadêmico por si só não basta, é preciso investir em seus colaboradores com cursos extras e treinamentos adequados às suas necessidades. O mundo corporativo não tem paciência para a pós-formação e ela é extremamente necessária. A academia dá a base; a prática, o acabamento. Há ajustes na capacitação de um profissional que só o dia a dia oferece.

COORDENADOR-GERAL DA BANDTEC,

FACULDADE DE TECNOLOGIA

DO COLÉGIO BANDEIRANTES

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