A forte entrada de capitais no primeiro trimestre

A divulgação das contas externas do mês de março e do 1.º trimestre traz perplexidade: o déficit em transações correntes, no trimestre, ficou em US$ 14,6 bilhões - ante US$ 11,9 bilhões no mesmo período de 2010 - e equivale a 2,81% do PIB estimado. Em compensação, a conta financeira teve saldo de US$ 42,3 bilhões (US$ 19,4 bilhões no ano passado).

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27 de abril de 2011 | 00h35

O que se verifica, portanto, é uma forte entrada de capitais externos, no momento em que as autoridades monetárias trabalham para reduzi-la a fim de amenizar os inconvenientes da valorização do real.

Uma grande participação nessa evolução coube aos Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs): US$ 17,4 bilhões líquidos, ante US$ 5,5 bilhões no mesmo período de 2010. E a contrapartida desses IEDs é a remessa de lucros e dividendos que, no trimestre, somou US$ 8,3 bilhões, ante US$ 4,5 bilhões no ano passado. Nas previsões do governo, os IEDs deverão somar US$ 62 bilhões neste ano, estimativa que parece exagerada, levando em conta que em abril, até ontem, os IEDs somavam US$ 4,3 bilhões, mostrando um recuo em relação a março.

O que mais importa neste momento é saber se as medidas adotadas pelo governo vêm tendo o efeito desejado. Os investimentos em carteira, que em janeiro apresentaram saldo de US$ 4,9 bilhões, caíram para US$ 2,4 bilhões em fevereiro, mas voltaram a subir para US$ 3,1 bilhões em março. O recuo foi mais sensível nos títulos de renda fixa, cujo saldo foi de US$ 3,6 bilhões no 1.º trimestre, caindo para US$ 283 milhões em abril, até o dia 25.

Todavia, o fato que nos parece preocupante é o aumento do passivo para os outros investimentos (empréstimos, emissão de bônus, etc.). Ficou em US$ 17 bilhões no 1.º trimestre, US$ 9,5 bilhões somente em março, quando a rolagem atingiu 451%, e parece ter atingido 1.423% até 20 de abril.

Com isso a dívida bruta brasileira ficou em US$ 279,2 bilhões, mas com reservas de US$ 317,1 bilhões. Os juros representaram uma despesa de US$ 4,7 bilhões no trimestre, compensada em parte por uma receita de US$ 2,1 bilhões.

O que ocorre é que estamos recorrendo demais ao mercado internacional, o que é possível enquanto a liquidez for elevada. Porém, temos de nos preparar para uma forte queda dessa liquidez, quando teremos de continuar pagando os juros sobre a dívida acumulada. O Fundo Monetário Internacional (FMI) levantou esse problema, que poderá ficar muito sério para os países emergentes.

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