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A França e a reunião do G-20

Sarkozy seguiu para Washington. A tarefa que tem pela frente é árdua: tirar o mundo da crise. De passagem, aproveitará a ocasião para "reformular o capitalismo". Os membros do G-20 que participarão dessa reunião, imposta por Sarkozy a Bush em 18 de outubro, têm interesse em iniciar logo o trabalho. Em julho de 1944, em Bretton Woods, os vencedores da guerra tiveram 15 dias para reformar o sistema monetário. Este ano, Sarkozy terá apenas algumas horas para reorganizar o planeta. Talvez por isso o presidente Lula "não espere muita coisa desse G-20", mesmo que seja "algo promissor". O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, já mostrou seu desânimo: "Essa reunião não vai levar a nada". A falta de tempo para realizar essa façanha não é a única desvantagem do G-20. Há outra. Que idéia conceber tal projeto quando o novo presidente Obama ainda não assumiu! Será com um Bush decadente que Sarkozy pretende construir sua catedral. Além do que, é o cúmulo tentar refazer o capitalismo com um presidente Bush que não conhece nada de mais belo do que o capitalismo. Obama não seria mais cooperativo? Nada permite pensar que o presidente eleito se converteu à moda "anticapitalista" que a crise fez irromper na Europa e Sarkozy, o bardo do liberalismo desenfreado de um ano atrás, agora pretende regulamentar e cortar as asas. A equipe que chegará ao poder com Obama não é considerada "intervencionista" nem "estatista": os principais conselheiros (Summers e Volcker), ex-assessores de Clinton, são "velhas raposas de Wall Street". Jamais sonharam com um "capitalismo ao molho europeu". É por isso que Sarkozy não hesitou em deixar Paris para explicar ao seu amigo Bush que, em 1944, só podia existir uma única moeda de reserva, o dólar, o que hoje não é mais o caso.Sarkozy tem razão: o reinado absoluto do dólar acabou. É preciso planejar uma nova paisagem. Além disso, o tempo em que o Estado era considerado uma calamidade na economia chegou ao fim com o incêndio dos bancos. O novo papel do Estado, seus deveres e poderes, devem ser examinados. Outro ponto de interesse desse encontro: só o fato de reunir esse grupo já é prova de que todos reconhecem que a solução só pode ser global. Podemos até supor que a reunião terá como resultado a preparação do fim do G-8, símbolo de um mundo esclerosado e injusto. Ninguém vai chorar a morte do G-8. Podemos esperar algo melhor? Claro que seria loucura imaginar que, em algumas horas, os 20 conseguirão redigir uma nova estrutura financeira planetária. Ficaremos felizes se eles conseguirem adotar algumas medidas de urgência. *Gilles Lapouge é jornalista

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