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Guy Perelmuter
O Futuro dos Negócios
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A fronteira final

Além do infinito

*Guy Perelmuter, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 03h00

A expressão “first mover advantage” – ou “a vantagem do primeiro a se mover” – é utilizada ocasionalmente para explicar o sucesso de algumas empresas que se posicionam em determinado mercado antes das outras. Capazes de assegurar vantagens tecnológicas, ou de adquirir recursos estratégicos antes que os preços subam, essas empresas teoricamente “largam na frente”, potencialmente conquistando mercados e consumidores que irão pensar duas vezes antes de realizar a mudança para os concorrentes que inevitavelmente irão surgir.

Mas essa vantagem nem sempre se traduz em sucesso no longo prazo, e frequentemente os novos entrantes acabam por se beneficiar tanto dos erros quanto acertos daqueles que desbravaram territórios anteriormente inexplorados. Já falamos aqui da Space Services, que em 1982 tornou-se a primeira empresa privada a colocar um foguete no espaço. Três anos depois, receberam do governo dos EUA a primeira licença para fornecer o serviço de lançamento de foguetes comerciais – e em março de 1989 a Starfire torna-se a primeira espaçonave a voar com este tipo de autorização. Mas menos de 18 meses depois os investidores da Space Services encerraram as atividades de financiamento da empresa, que tornou-se uma coadjuvante em um mercado que começava a ganhar significativa tração: o lançamento de satélites para telefonia, televisão, navegação e pesquisa científica.

Atualmente, um dos aspectos mais críticos para o avanço dos negócios associados à exploração espacial depende do custo associado ao envio de cargas para órbita baixa da Terra (ou LEO - Low Earth Orbit), definida como altitudes orbitais inferiores a dois mil quilômetros. É nesta região que a grande maioria dos objetos em órbita estão – inclusive a Estação Espacial Internacional e o telescópio Hubble. No início da década de 1980, o custo de cada quilograma de carga no ônibus espacial ultrapassava os US$ 80 mil. Em meados da década de 1990, era inferior a US$ 27 mil. Em 2009 o Falcon 1, da SpaceX, trouxe pela primeira vez para menos de US$ 10 mil o custo de cada quilograma, e em 2017 o Falcon 9 quebrou a barreira dos US$ 2 mil. Ou seja, em quatro décadas o custo para colocar um quilo em órbita caiu mais de 97%.

A criação do XPrize, assunto da nossa última coluna, recebeu muita atenção da mídia e inspirou empreendedores, empresários e inventores, viabilizando o início de uma nova era da exploração espacial, financiada em larga medida por bilionários ou grandes conglomerados privados. Além da Blue Origin de Jeff Bezos (fundada em 2000), SpaceX de Elon Musk (2002), e Virgin Galactic de Richard Branson (2004), há outras companhias com papéis relevantes (ao menos por enquanto) na nova corrida espacial: Orbital ATK (1982, de quem falamos aqui e subsidiária do grupo Northrop Grumman desde 2018), United Launch Alliance (ou ULA, fundada em 2006 como uma joint venture entre a Lockheed Martin e a Boeing) e Sierra Nevada (que adquiriu, em 2008, a SpaceDev, que desenvolveu componentes para a SpaceShipOne de Paul Allen, vencedora do primeiro XPrize).

O tamanho da oportunidade para exploração da “indústria espacial” é gigantesco. Atualmente, este mercado é estimado em cerca de US$ 350 bilhões – número que deve atingir, em duas ou três décadas, algo entre US$ 1 trilhão (de acordo com o banco Morgan Stanley) e mais de US$ 3 trilhões (de acordo com o Bank of America Merrill Lynch). A expectativa é que grande parte desta receita seja originada pelo lançamento de satélites que, entre outras coisas, irão expandir de forma significativa o acesso à Internet ao redor do mundo.

Mas a exploração do espaço por empresas privadas impacta de forma significativa diversos outros segmentos de negócios aqui na Terra — seja através de satélites com múltiplos objetivos, mineração de asteroides, espaçonaves para o transporte de carga, sistemas de defesa, turismo espacial ou voos comerciais. Falaremos disso em nossa próxima coluna. Até lá.

*Fundador da GRIDS Capital, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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