A GE e o desafio de fazer negócios com a China

Americana faz joint venture para aproveitar expansão chinesa, mas terá de dividir sua mais avançada tecnologia com empresa estatal

, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2011 | 00h00

NEW YORK TIMES

No momento em que a China luta pela liderança nos mais variados setores, o país tem como seu maior foco a área de jatos comerciais - aviões que, algum dia, poderão desafiar Boeing e Airbus. E nenhuma companhia ocidental tem sido mais agressiva em ajudar a China a realizar esse sonho como a General Electric (GE), uma das maiores fornecedoras de motores de jatos e tecnologia do setor da aviação.

Na última sexta-feira, durante a visita do presidente chinês Hu Jintao aos Estados Unidos, a GE assinou um acordo para a criação de uma joint venture com a Aviation Industry Corporation of China (AVIC). O negócio é um exemplo do complicado cálculo de risco e retorno que as corporações americanas precisam fazer para lucrar no país asiático.

A GE vai compartilhar com a China sua sofisticada tecnologia eletrônica de aviões - incluindo tecnologias usadas no avançadíssimo Dreamliner 787 da Boeing. Essa estratégia dá brechas para que empresas chinesas fabriquem os mesmos produtos, só que mais baratos e possivelmente melhores.

Outro risco é que tecnologias ocidentais possam ajudar a China a progredir na aviação militar - uma preocupação reforçada na semana passada, quando os chineses demonstraram um protótipo de sua versão do caça invisível do Pentágono.

O primeiro cliente da joint venture da GE será a companhia Commercial Aircraft Corporation of China, que está construindo um avião de passageiros, o C919, que deve ser o primeiro da China capaz de competir com a Boeing e a Airbus. A maioria dos executivos ocidentais de aviação diz que os chineses estão muito atrás em tecnologia de aviação, tanto civil como militar, para causar qualquer temor. Apesar disso, essa é uma pressão para a Boeing e a Airbus continuarem inovando.

A GE reconhece que se associar a uma empresa chinesa é uma dança delicada. Mas, como o mercado de aviões comerciais da China deve gerar vendas de mais de US$ 400 bilhões nas próximas duas décadas, essa é uma festa que a companhia não está disposta a perder.

Executivos da GE dizem que a China acabará se tornando uma importante representante no mercado de jatos comerciais, e que a companhia pretende ser uma grande fornecedora dos emergentes fabricantes chineses. "Eles estão comprometidos com o longo prazo e têm todas as possibilidades de serem bem-sucedidos", disse John G. Rice, vice-presidente da GE.

Rice disse também que a parceira chinesa na joint venture - a fabricante de equipamentos e design aeroespacial Aviation Industry Corporation of China, ou Avic - forneceu algumas partes de motores de jato da GE por muitos anos. E disse que conhece pessoalmente o presidente da Avic há uma década. "Essa parceria é uma medida estratégica que fizemos depois de muita consideração, com uma companhia que conhecemos", prosseguiu Rice. "Isso não é algo em que fomos forçados a entrar pelo governo chinês."

Kent L. Statler, vice-presidente na Rockwell Collins, fabricante de eletrônicos para aviação, observa que seus empregados com frequência perguntam se a companhia não está trocando seu futuro por vendas imediatas na China. "Creio que é ingenuidade não levar em conta que se pode estar criando um futuro competidor. Mas, no fim do dia, nossas tecnologias precisam continuar evoluindo. A coisa se resume a quem pode inovar mais rápido."/ TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA E CELSO PACIORNIK

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.