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‘A gente paga caro pela ineficiência de infraestrutura do Brasil’

Presidente da transportadora Jadlog fala sobre preparação para a Black Friday

Entrevista com

Bruno Tortorello, presidente da transportadora Jadlog

Guilherme Guerra, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2019 | 05h00

A transportadora Jadlog encara a Black Friday como um tsunami. No bom sentido: os sete dias seguintes após o alvoroço de compras equivalem a 15 em um mês padrão. Para este ano, os preparativos começaram em junho e envolvem mais pessoal e maior frota disponível para realizar as operações. O desafio, na verdade, está na infraestrutura do País, que encarece o negócio e prejudica varejo, transportadoras e consumidores. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o bom momento do e-commerce beneficia a Jadlog?

Entre 2017 e 2019, dobramos de operações, calcados no crescimento do e-commerce no mercado B2C (direto para o consumidor), em que de fato a gente colocou mais energia. O B2B (direto para o negócio) vem crescendo a taxas muito parecidas com as da economia, praticamente nada. 

Como está a preparação para a Black Friday de 2019?

A gente vem se planejando desde junho. São mais de 1000 pessoas adicionadas na operação, que vai funcionar 24/7 durante três semanas. E serão 1,5 a 2 mil carros em atividade adicional. A gente alugou 10 mil metros quadrados de espaço. Além disso, investimos R$ 8 milhões em inovação e incremento de frota. Existe todo um envolvimento para dar vazão a esse tsunami que vai passar nos próximos dias.

Qual o peso da Black Friday no negócio da Jadlog?

A semana é o equivalente a 15 dias de operações em um mês padrão. Estamos falando de fazer em um dia algo que você faz em dois ou três. É desafiador.

O que vem por aí nos próximos anos?

Trazer o predict, que é avisar o consumidor qual a janela de entrega para que a pessoa não espere o dia todo. E há a opção de interagir, optar por não receber naquele dia, direcionar para um ponto pickup, agendar para outra data. Isso atende aos anseios do consumidor de estar no controle do processo e diminui os insucessos de entrega. E vamos investir algo como R$ 20 milhões em tecnologia, mecanização e renovação de frota. Olhando para frente, o e-commerce no mínimo vai dobrar de tamanho até 2023. E vai exigir muito investimento.

Qual é o papel da infraestrutura do Brasil nesse cenário?

Temos uma dependência grande do modal rodoviário, com estradas bastante precárias e inseguras. Isso traz duas coisas: prazos (de entrega) mais alongados do que poderiam; e custos maiores, porque você roda com um caminhão em estradas esburacadas e tem custo de manutenção maior. A gente paga caro por essa ineficiência de infraestrutura no País. 

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