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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

A gestão da dívida pública eleva a liquidez monetária

Em abril, o Tesouro Nacional resgatou R$ 55,5 bilhões e emitiu R$ 39,4 bilhões em títulos da dívida pública mobiliária interna. Houve, portanto, um resgate líquido de R$ 16,1 bilhões e o Tesouro propiciou um aumento da liquidez na economia, em parte compensado por operações compromissadas feitas pelo Banco Central, que retira liquidez do sistema. Como não há aperto monetário (o consumo cresce, embora em ritmo menor), melhor é analisar o que ocorre com a gestão da dívida.

O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2013 | 02h05

O Tesouro resgatou em papéis prefixados R$ 24 bilhões mais do que emitiu. O peso dos prefixados está abaixo do definido no Plano Anual de Financiamento (PAF). Com a inflação no teto da meta, os investidores demandam menos papéis prefixados e o Tesouro evita oferecê-los, porque não quer aceitar taxas elevadas.

Foram maiores as emissões líquidas de títulos corrigidos por índices de preços (R$ 3,7 bilhões) e com taxas flutuantes (Selic), no montante de R$ 4,8 bilhões. Fica claro que há mais demanda para os papéis com taxa Selic, pois o juro básico está subindo (espera-se que atinja entre 8,5% e 8,75% ao ano, até dezembro).

Apesar das incertezas cambiais, a demanda por títulos corrigidos pela variação do dólar não é forte e os resgates superaram em R$ 500 milhões o montante vencido em abril.

Houve estabilidade da dívida em relação a março e um ligeiro aumento de 4,18 anos para 4,22 anos no prazo médio dos papéis, fato que o governo considerou favorável.

Mas o comportamento da dívida mobiliária, no primeiro quadrimestre, reflete mal o conjunto da dívida pública. De fato, a relação dívida líquida/PIB caiu nos últimos anos, chegando a 35,2% em dezembro, e não está distante da meta de 30% do PIB desejada pelo governo Dilma Rousseff para 2014. É um dado positivo para os credores.

Porém o mesmo não ocorre com a dívida bruta - onde estão todos os débitos públicos, salvo os de estatais, internamente e no exterior. Como notou o economista José Roberto Afonso em seminário da FGV/Ibre, em fins de abril, a trajetória da dívida pública nacional é ascendente. Entre 30 países emergentes, o Brasil só deve menos do que o Egito, a Jordânia e a Polônia. "Nossa necessidade de financiamento bruto é de 17%, o dobro da média dos emergentes."

O ponto mais positivo é que é pequena a parcela da dívida detida por estrangeiros. Ou seja, se a gestão se tornar mais difícil, o problema será dos credores nacionais.

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