A grande virada da Valentino

A grande virada da Valentino

Como a marca criada pelo costureiro italiano, agora controlada por investidores do Qatar, virou a bola da vez entre as grifes de luxo

MARIA RITA ALONSO , O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2015 | 02h06

O vestido vermelho que marcou as coleções de Valentino Garavani, um dos maiores estilistas italianos de todos os tempos, é símbolo de glamour e poder há décadas. A elite brasileira, que sempre se identificou com suas roupas sofisticadas, responde por uma parcela expressiva de sua clientela, ao lado de celebridades americanas, europeias e, mais recentemente, milionárias asiáticas.

No ano passado, de uma tacada só, a grife fez investimentos expressivos no Brasil. Além de duas lojas em São Paulo abertas há três anos, no Shopping Cidade Jardim, e uma no Rio, o grupo inaugurou em 2014 novos endereços no Rio, em Curitiba e no Recife, onde o mercado de luxo ainda engatinha. "Apesar da instabilidade econômica, continuo acreditando no potencial do Brasil para expandir a marca", diz o italiano Stefano Sassi, presidente do grupo. "O mercado brasileiro consome luxo e ama acompanhar a moda de perto."

O processo de expansão foi iniciado em 2012, com a venda da marca italiana para o grupo de investimentos Mayhoola, ligado à família real do Qatar (o mesmo que detém o controle da gigante Harrods, em Londres). Depois do afastamento do próprio Valentino e de seu sócio Giancarlo Giammetti, em 2007, a grife viveu momentos de queda de prestígio na moda e nos negócios. A virada ocorreu justamente com a chegada de Sassi à empresa. Ele adotou uma série de medidas que fez a Valentino voltar a ser vista como a bola da vez entre as grandes casas de moda.

Em 2014, a marca fechou com vendas de 664 milhões (36% mais que os 488 milhões registrados em 2013). Na comparação com 2010, o faturamento dobrou. "Além da alta costura e do prêt-à-porter, hoje parte dos lucros vem da venda de acessórios, da segunda linha feminina RED Valentino e da coleção de roupas masculinas", diz Sassi.

O primeiro passo acertado dado pelo executivo foi trocar a criação de mãos, colocando a dupla Pier Paolo Piccioli e Maria Grazia Chiurique, que por dez anos atuou como assistente de Valentino, na área de acessórios, no comando das coleções de prêt-à-porter e da alta-costura. Depois, Sassi administrou a chegada do grupo árabe e encabeçou um audacioso movimento de expansão, inaugurando lojas-conceito gigantescas com o traço minimalista e contemporâneo do arquiteto britânico David Chipperfield. No fim do ano passado, um edifício com mais de mil metros quadrados na Quinta Avenida, em Nova York, impressionou o mercado pelas suas dimensões. Em Shangai, há uma loja com a mesma linha.

Nova loja. Na quarta-feira passada, foi inaugurado o QG da marca em Roma, cidade natal de Valentino. A loja está localizada em plena Piazza di Spagna, o coração da cidade, em um edifício histórico com mais de 1,5 mil metros quadrados de área construída. A combinação da fachada histórica com as instalações modernas, escadarias de mármore e elementos de fibra de carbono dá um ar de palácio do século XXI ao lugar. A imprensa italiana especula que o grupo árabe tenha investido mais de 100 milhões no prédio.

A festa de abertura será no dia 9 de julho, com o desfile da coleção de alta-costura, excepcionalmente exibido fora de Paris, cidade habitual das apresentações.

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