A guerra das privatizações

Há poucas semanas, a empresa de telefonia Oi pediu recuperação judicial com dívidas de mais de R$ 60 bilhões. Curiosamente, o caso Satiagraha tem quase ao mesmo tempo seu fim definitivo decretado. Apesar de parecerem distantes entre si, os dois eventos tiveram uma relação estreita no passado.

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2016 | 05h00

Em abril de 2008, foi feito um acordo para se criar o que seria a maior empresa de telefonia do País, resultante da fusão da Brasil Telecom com a Oi. O acordo envolvia fundos de pensão, o CVC do Citibank, o Opportunity, os empresários Carlos Jereissati e Sérgio Andrade. Todos assinaram um compromisso de esquecer o passado e as brigas judiciais que na época se multiplicavam. Entre eles estava Daniel Dantas, que havia brigado com vários desses personagens, e também com a Telecom Itália, sua sócia na BrT, que saiu um pouco antes da criação da supertele.

Para entender a história é preciso voltar ao ano de 1998, quando o financista havia arregimentado sócios para participar da privatização do sistema Telebrás. O leilão terminou com a Tele Centro Sul (BrT) nas mãos de Dantas, TIM e dos fundos de pensão e a Telemar com Jereissati. Um ano após a privatização, os fundos de pensão perceberam que não tinham controle na BrT apesar de posição majoritária. Daniel Dantas é quem mandava. Dantas acredita que passou a ser perseguido pelo governo, que teria angariado também o Citibank contra ele.

Em 2008, concordou em sair dos negócios porque o governo não o queria na supertele. Levou US$ 1 bilhão pelas suas fatias, pois também era sócio da Telemar. “Era para comprar a minha paz. Me prometeram. Dois meses depois fui preso na Satiagraha”, disse em evento da revista piauí no ano passado.

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