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A guerra entre os Médicis e os Pazzis

Disputa entre bancos não é novidade, mas a guerra entre eles não é algo bom para nenhum dos lados

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2020 | 05h00

Uma das mais sangrentas disputas da história ocorreu em Florença no século 15 entre duas famílias de banqueiros, os Médicis e os Pazzis. Disputavam o controle das finanças papais. Acabou em sangue. Como sempre, o que estava em jogo era o poder e a riqueza das famílias. Essa disputa durou gerações e nem mesmo o casamento de uma Medici com um Pazzi colocou fim à guerra. Tendo como desculpa a preservação do negócio da família, eram praticadas traições, roubos e mortes. Mesmo que a história conte que os Médicis tinham uma preocupação real com o povo e no desenvolvimento das artes – o seu legado é imenso, sem dúvida nenhuma–, não adote facilmente um lado nessa guerra de famílias. Nessa história não espere encontrar vestais, santos absolutos, porque mesmo que tivessem preocupações sociais e culturais, a preservação do negócio da família falava mais alto. 

Disputa entre bancos não é novidade, mas a guerra entre eles não é algo bom para nenhum dos lados. Os bancos podem ser concorrentes e disputar ferrenhamente o mercado, mesmo se odiando. Mas há um limite e sempre acabam buscando pontos de acordo. Nesses acordos usualmente quem sai perdendo são sempre os mesmos: os usuários dos serviços financeiros. No caso da história do século 15 o povo sofreu, viveu guerras, passou fome, sem contar as mortes. A história não ensina e não se repete, mas mostra escolhas. 

Séculos depois, estamos assistindo a briga entre o Itaú e a XP, instituições que por sinal são casadas, ou melhor, sócias. Os lados se acusam de que a forma de comercialização de seus produtos é feita de maneira a prejudicar o cliente. Um lado diz que a remuneração variável de seu representante leva a empurrar investimentos goela abaixo do investidor. O outro acusa que o cliente sempre foi prejudicado pelas taxas e pelos produtos oferecidos pelo primeiro. Em comum, ambos os lados se acusam de prejudicar o cliente por mais ganhos. As duas instituições têm muitas coisas boas, bons serviços e fazem muito pela sociedade. Mas, nessa briga, não espere encontrar somente santos. Quem vende dinheiro busca ganhar mais dinheiro, justamente vendendo dinheiro, e nem sempre o seu maior interesse é o cliente.

Para você se proteger não é preciso deixar de ter conta nas instituições financeiras, mas a chave está em adquirir mais conhecimento sobre finanças. Quanto mais souber, mais poder de escolha e decisão você terá. O pano de fundo da disputa de hoje é a briga pelo modelo tradicional e o moderno, ligado ao meio digital que está abrindo o seu espaço sem pedir licença. A guerra de hoje não é sangrenta e a disputa pode até trazer ganhos para o investidor que vai ficar mais atento ao que está comprando dessas instituições. 

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