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José Roberto Mendonça de Barros
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A hora da política monetária

É razoável esperar outras reformas, especialmente, na área trabalhista

José Roberto Mendonça de Barros, Impresso

11 Dezembro 2016 | 05h00

A mesa do Senado rejeita uma decisão monocrática do Supremo. O governador do Rio está em Bangu 8. A prefeita de Ribeirão Preto está presa. Em Osasco quinze vereadores, inclusive o prefeito eleito, foram encarcerados.

No Brasil inteiro milhares de pessoas, protestaram contra a corrupção, a favor da Lava Jato e se revoltaram contra Renan Calheiros, novo símbolo de tudo que é rejeitado pela população.

Estamos mesmo no fim de uma era, na qual a corrupção na política tomou uma escala industrial, tendo sido a marca registrada do sistema de poder que nos governou até o início de 2016.

Esta é a parte boa de um ano que não deixará saudades. A governança do país certamente irá melhorar e até já vemos alguns elementos de uma nova geração voltar a participar da política.

Entretanto, esta reconstrução será penosa e levará algum tempo até que uma reforma política avance mais. Pior, ainda temos o risco de que apareça algum aventureiro salvador da pátria, à la Collor. Por isso, a eleição de 2018 será tensa, mas fundamental.

Também é por isso que o governo Temer tem que ser de transição, de preparo para o futuro. Especialmente, tem que levar a uma recuperação da difícil situação econômica atual, particularmente depois que a atividade econômica no terceiro trimestre se revelou muito pior do que o esperado, contaminando o remanescente de 2016.

Acredito que, apesar de toda a volatilidade atual, será possível uma trajetória positiva para 2017, ainda que modesta: projetamos um crescimento de 1% para o ano. Algumas razões devem ser lembradas para tornar viável tal resultado. Menciono as quatro que me parecem mais relevantes.

Em primeiro lugar, as reformas estão avançando. A PEC do Teto de despesas deverá ser aprovada na próxima semana. Além disso, a divulgação do projeto de reforma da Previdência surpreendeu positivamente, apesar de algumas críticas e da necessidade de muito esclarecimento e negociação. Não é o momento de discutir detalhadamente a proposta, mas por hora é suficiente dizer que a proposta é consistente e ataca os principais problemas previdenciários. O tom geral da reforma é impedir o grande problema de hoje que é de uma aposentadoria generalizadamente precoce e com 10% do salário da ativa, coisa que não existe em lugar nenhum do mundo.

Ao longo do ano que vem parece razoável esperar outras reformas, especialmente, na área trabalhista.

Ao lado dos avanços fiscais quero mencionar três áreas que devem puxar o crescimento, modesto, no ano que vem, compensando a esperada fragilidade do consumo. A primeira observação é uma expectativa de forte recuperação na produção agrícola, na safra 2016/2017. Ainda temos algum tempo antes das colheitas, mas o que pode ser dito é que até agora o clima tem sido bastante razoável e é possível projetar uma melhora de 15% na produção de grãos. Teremos efeitos positivos na renda agrícola, dados os bons preços internacionais e o nível atual da taxa de câmbio. A indústria continuará elevando as quantidades vendidas no exterior, pois além do câmbio, o mercado interno continua relativamente fraco.

O terceiro puxador de crescimento deverá ser a melhora substancial de investimentos na área de petróleo e energia elétrica. É perceptível a mudança que já ocorreu decorrente da qualidade da gestão na Petrobrás e na Eletrobrás, bem como, na adequação da regulação, de sorte a atrair mais investimento privado. Também teremos concessões em outras áreas, como saneamento.

Finalmente, chegou mesmo a hora da política monetária se tornar ativa. Tudo concorre nesta direção. Como mostrou o IPCA do mês de novembro (que ficou em 0,18%), a inflação vem realmente caindo e deverá fechar o ano em 6,5%. Para 2017, é perfeitamente possível projetar um número entre 4,3 e 4,7%. Com o tamanho da recessão, o avanço na área fiscal e as expectativas de inflação cadente não existem mais desculpas para o Banco Central manter atitude cautelosa nestes últimos meses.

É hora de acelerar a máquina e reduzir a taxa de SELIC em 0,75% no dia 11 de janeiro.

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