A hora de investir nos mercados acionários internacionai

Os mercados acionários internacionais já atingiram o fundo do poço e vão começar a reagir? Essa pergunta, cuja resposta correta vale trilhões de dólares, continua divindindo os analistas e pelo jeito não deve ser esclarecida no curto prazo. Para alguns, há sinais de que a economia norte-americana está se reerguendo e os investidores, que fugiram dos investimentos de renda variável e outras apostas de risco nos últimos meses, estão prontos para injetar novamente fortes capitais nos estoques das empresas que, segundo eles, finalmente atingiram os seus valores reais e estão prestes a iniciar uma trajetória ascendente. Já a corrente de pessimistas teme que as economias dos Estados Unidos e da Europa estejam prestes a iniciar um novo mergulho recessivo, que poderá ser agravado com um conflito militar no Iraque, novos escândalos corporativos e até mesmo um agravamento da crise no Brasil. Os "baixistas", que apostam que as bolsas ainda têm um bom caminho de perdas pela frente antes de se estabilizarem, temem também a possibilidade de uma deflação nas principais economias do mundo. Apesar desse debate continuar acalorado, é cada vez maior o time de analistas que aposta que o pior já passou ou está prestes a passar. O estrategista-chefe para a Europa do banco Morgan Stanley, Richard Davidson, por exemplo, afirmou que o atual momento é o melhor para começar investir em valores de renda variável, pois as bolsas estão em níveis muito baixos e poderão registrar uma recuperação de até 40% no médio prazo. Davidson acredita que está chegando a hora de abandonar, com cautela e gradativamente, a proteção de produtos de renda fixa, como bônus governamentais. Segundo o analista, caso ocorra um ataque militar contra o Iraque, o preço do barril do petróleo poderá atingir os US$ 40. Mas essa alta duraria pouco tempo e o preço deverá recuar para os US$ 25 diante dos atuais fundamentos desse mercado. Já o banco Merrill Lynch disse "que os gerentes de fundos estão se preparando uma recuperação" das bolsas. Segundo o banco, apesar do cenário continuar repleto de incertezas, a sua pesquisa mensal "Indicador das Condições do Mercado Acionário" atingiu o seu nível mais elevado e positivo - desde novembro de 2001. Esse indicador examina expectativas de lucros, perspectivas de taxas de juros, avaliações de estoques e o sentimento dos investidores. "No papel, a pesquisa parece trazer notícias muito boas,", disse David Bowers, chefe do departamento de estratégia global do Merrill Lynch e autor do índice. "Os investidores institucionais afirmam que os mercados acionários estão subavaliados e que as taxas de juros irão cair, que são sinais positivos."Bowers alertou, no entanto, que essa perspectiva positiva continua ameaçada por um série de riscos, principalmente os resultados das empresas, que poderão ficar aquém do esperado nesse último trimestre de 2002.

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