Werther Santana/Estadão
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A hora e a vez dos carros elétricos

Em nosso país a participação de VEs é de 1%, ainda menor do que em outros lugares, enquanto a frota norte-americana já é de 2% e a da Europa já atinge 9,3% – e na China, 5%

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2021 | 04h00

Muitos de nós já sonham em ter o seu veículo elétrico (VE), principalmente aqueles mais preocupados com as questões climáticas. Mas, no Brasil, investir num carro elétrico não é para qualquer um. Os preços dos dez elétricos mais baratos encontrados em nosso mercado estão entre de R$ 160 mil e R$ 600 mil. Mesmo assim, em 2020 foram vendidas quase 20 mil unidades, um salto de 66,5% em relação às vendas de 2019. 

Em nosso país a participação de VEs é de 1%, ainda menor do que em outros lugares. A frota norte-americana já é de 2%, enquanto na Europa já atinge 9,3%, e na China, 5%. 

Na comparação com os veículos comuns que estão à venda, os VEs exigem um investimento inicial mais alto. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) desses autos está entre 12% a 18%. Mas as despesas com esse tipo de carro são menores. O gasto de recarga é menor. Um VE demanda algo como 20 KWh para percorrer 100 km, mais ou menos R$ 12 em São Paulo. Em um carro a combustão, o gasto seria da ordem de R$ 60. Além disso, a estrutura pública de recarga no Brasil ainda é gratuita, embora o tempo de carregamento e a escassez de pontos possam levar à ansiedade de uma pane seca em muitas localidades.

A manutenção dos VEs, também, é mais barata. Segundo especialistas, chega a ser metade dos carros a combustão. Uma preocupação é com a bateria. Se for preciso trocar, o custo é muito alto. É um novo investimento, mas as garantias vão de 8 a 10 anos. 

Em alguns Estados há benefícios tributários, e em algumas cidades são oferecidas vantagens como isenção do pagamento de estacionamento em locais públicos ou isenção de rodízio. 

Por outro lado, há outras questões que podem orientar as pessoas na decisão de adquirir um VE. O transporte é responsável por cerca de um quinto das emissões globais de dióxido de carbono, ozônio e poluição, com viagens rodoviárias sendo responsáveis por três quartos desse montante. A maior parte disso vem de veículos de passeio, automóveis e ônibus, que contribuem com 45,1%. Os outros 29,4% vêm de caminhões com carga. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a poluição do ar causa uma em cada nove mortes em todo o mundo. Mas um fato que deve ser visto com cuidado é que, a menos que a eletricidade que alimenta os VEs seja limpa, eles nunca serão uma opção totalmente ecológica. Se a produção de energia não for limpa, não adianta nada o carro consumir eletricidade. 

Um estudo da Universidade Tsinghua, da China, mostra que os VEs recarregados na China, onde a maior parte da eletricidade vem de usinas movidas a carvão, contribuem de duas a cinco vezes mais com partículas e produtos químicos do que os carros com motor a gás. A própria fabricação de baterias consome muita energia. Para que os VEs sejam realmente uma opção verde para o transporte, de ponta a ponta, é vital que sejam conectados com energia renovável. Esse tipo de carro ainda não é para todos os bolsos, mas significa um futuro mais seguro e melhor para todos.

PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

 

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