A imigração e o balanço de pagamentos

O afluxo de imigrantes procedentes da América Latina e da África fez crescer o movimento nas corretoras e empresas especializadas em remessas para o exterior. A demanda é tanta que esses serviços já se transformaram na principal atividade de algumas corretoras. São remessas feitas por haitianos, que encontraram ocupação em áreas carentes de mão de obra de baixa qualificação, por bolivianos e, recentemente, por africanos.

O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2014 | 02h04

Os modernos sistemas bancários permitem transferências em 24 horas para correspondentes no exterior, em operações legais (a instituição é credenciada pelo Banco Central), sobre as quais incide IOF com alíquota de 0,38%. Varejistas e agências de turismo são parceiros das corretoras. Para o remetente, o custo é de 5% do total (Estado, 27/9).

A conta Transferências Unilaterais Correntes do balanço de pagamentos registra aumento das remessas do Brasil para o exterior e diminuição das que os brasileiros que trabalham fora fazem para os parentes daqui. Em 2013, houve superávit de US$ 3,366 bilhões nessa conta (com receitas de US$ 5,480 bilhões e despesas de US$ 2,114 bilhões). Neste ano, até agosto, o superávit foi de US$ 963 milhões, com receitas de US$ 2,619 bilhões (-22,1% em relação ao mesmo período de 2013) e despesas de US$ 1,656 bilhão (+27,1%). Parece otimista a projeção do Banco Central de um superávit de US$ 2,5 bilhões neste ano.

Entre os imigrantes, há trabalhadores menos qualificados, mas também profissionais especializados, em geral procedentes da Bolívia e do Paraguai. Estes se adaptam rapidamente ao mercado brasileiro. O Ministério do Trabalho e os órgãos estaduais estão atentos para evitar condições degradantes de trabalho impostas por empresas aos que não têm carteira nacional de trabalho.

Vale notar a boa capacidade de poupança desses trabalhadores, que em geral ganham pouco, mas não esquecem as necessidades das famílias. É o caso das que vivem no Haiti, país em que 25% das receitas cambiais provêm de remessas pessoais de trabalhadores no exterior.

Já os brasileiros que trabalham no exterior têm, aparentemente, menor capacidade financeira para atender os parentes. Caiu o fluxo de pessoas que emigram, especialmente para os Estados Unidos. A economia americana melhorou, mas as regras são mais severas para a entrada de imigrantes. E reduziu-se o número de nisseis que emigram para o Japão e de lá costumam enviar boa parcela da renda para os familiares.

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