A importação comprime a indústria brasileira

Diminui a participação das exportações e aumenta a das importações de produtos industrializados, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A desvalorização do real de 7,7% em 2014 não bastou, assim, para reduzir o peso das importações no consumo doméstico, mostrou a CNI no estudo Coeficientes de Abertura Comercial. Na prática, acentuou-se o encolhimento do mercado de produtos nacionais, que não conseguem competir com estrangeiros.

O Estado de S.Paulo

07 de março de 2015 | 02h03

O coeficiente de exportação, que indica o porcentual da produção que é exportado, caiu de 19% em 2013 para 18,8% em 2014. O elevado custo de produzir e a baixa integração nas cadeias globais tornam o Brasil competidor frágil no mercado internacional, disputado por países que privilegiam a educação e a produtividade da mão de obra, cobram tributos razoáveis e oferecem menos burocracia e melhor infraestrutura para os exportadores.

Ainda pior foi o comportamento do coeficiente de penetração das importações, que mede a parcela do mercado doméstico atendida por produtos importados - que subiu 0,6 ponto porcentual entre 2013 e 2014, de 21,4% para 22%, e de 5,4 pontos porcentuais nos últimos sete anos. Muitas indústrias locais preferem, hoje, criar subsidiárias para produzir no exterior e exportar para o Brasil, para não ter de fechar as portas.

O coeficiente de penetração supera 30% em químicos, passa dos 36% em máquinas e equipamentos, aproxima-se dos 39% em farmoquímicos e farmacêuticos, superando os 40% em outros equipamentos de transporte (46,5%) e aproximando-se dos 50% em informática, eletrônicos e ópticos (49,6%). Alguns estão no ponto mais alto da série histórica, iniciada em 1996. Nem os incentivos tributários aos veículos automotores bastaram para conter o peso na importação, com alta de 1,2 ponto porcentual em 2014.

Os coeficientes de insumos importados - medidos em relação ao total de insumos adquiridos pela indústria - são de 76,8% em informática, eletrônicos e ópticos e de 61,7% em farmoquímicos e farmacêuticos.

Os indicadores da CNI ajudam a entender as dificuldades da indústria e o custo de seu declínio para a economia e o emprego. A menor competitividade dos produtos locais contribui ainda para o problema maior, o da redução da corrente de comércio (soma de exportações e importações), do recorde de US$ 482 bilhões em 2011 para US$ 454 bilhões em 2014.

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