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A importância da resiliência

Muito se tem falado da liderança como uma das principais competências de um dirigente de empresa. De fato, a autoridade e o poder só se legitimam quando esse atributo existe e é genuíno. Trata-se de condição necessária, porém não mais suficiente diante de uma realidade em que situações corriqueiras e estáveis deram lugar a um contexto complexo e de transformação permanente.

PROFESSOR DA FUNDAÇÃO GETÚLIO , VARGAS, CONSULTOR DE EMPRESAS, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2012 | 03h09

É nesse caldo que emergem novas competências críticas para os dirigentes contemporâneos, com o conceito de liderança ganhando apêndices que buscam dar conta dos novos caminhos a serem percorridos.

Surgem, assim, o líder carismático, o situacional, o educador, o servidor. A esses predicativos, cabe acrescentar um novo fator imprescindível para prosperar diante de mudanças, adversidades e crises: resiliência, que pode ser considerada a principal competência desta primeira metade do século 21.

Dirigentes são responsáveis, em grande medida, pela resiliência das empresas que dirigem. Trata-se de uma competência requerida para que possam ampliar o nível de resiliência das pessoas sob seu comando e da própria organização. Isso faz toda a diferença para o enfrentamento de crises externas e internas, pois possibilita que se agregue valor ao negócio mesmo após um período de turbulência.

Empresas resilientes demonstram menor resistência a mudanças e, por conseguinte, mais dinamismo e plasticidade organizacional. Mesmo submetidas a graves crises, preservam a governança corporativa, sem perda de controle. Quando abaladas por grandes transformações, fusões e troca de acionistas e/ou dirigentes, retornam com rapidez à normalidade, restabelecendo seus parâmetros de rotatividade de pessoal, atração de talentos e as condições gerais de operação. A resiliência também possibilita recuperar a reputação abalada, e o aprendizado pode mesmo servir para impulsionar avanços.

Desde o início dos anos 1990 há esforços para compreender o fenômeno da resiliência a partir de escalas de mensuração internacionais. Em busca de uma métrica que melhor se adaptasse ao contexto brasileiro, empreendi um estudo de campo que resultou na concepção da Escala de Resiliência Sabbag (ERS).

O instrumento permite compreender aspectos que influenciam o grau de resiliência em adultos profissionais a partir de nove fatores inerentes à essa competência: autoeficácia/autoconfiança, solução de problemas, temperança, empatia, proatividade, competência social, tenacidade, otimismo e flexibilidade mental. Frente a essas questões, pode-se compreender com mais facilidade o porquê de a resiliência ser considerada um ponto essencial para dirigentes em situações de crise.

A temperança permite manter o "sangue frio" para, racionalmente, pensar estratégias de enfrentamento, enquanto a proatividade implica no senso de urgência para tomar iniciativas tão cedo quanto possível - lembrando que, nos processos de crise, o tempo é uma variável crucial para o agravamento da situação.

Já a capacidade de resolução de problemas possibilita ao dirigente transformar estratégias em soluções planejadas e, diante da flexibilidade mental, ele pode propor novas táticas em substituição àquelas que não trouxeram resultados. A tenacidade impedirá que esmoreça ou desista, conferindo forças para que persista, pragmaticamente, fazendo tentativas.

Para que tudo isso ocorra, há, no entanto, atributos primordiais como autoeficácia e otimismo. O dirigente precisa acreditar na possibilidade de solução da crise e confiar em si mesmo para liderar o processo. É natural que, em momentos mais difíceis, aflorem pensamentos e emoções negativas. O otimismo aprendido significa a capacidade de contrabalançar o negativo com o positivo, de maneira a não ser minado pela negatividade.

A empatia é vital para compreender os diferentes graus de resiliência dos envolvidos. Não é raro encontrar dirigentes frios e insensíveis, embora competentes tecnicamente. A falta de empatia e a incapacidade de articular apoios sociais ameaçam, contudo, a própria efetividade das medidas de enfrentamento.

Um dirigente de elevada resiliência acelera solução de crises, aprende com elas e se fortalece nessa lide. Já os de resiliência moderada são carregados pelo fluxo de iniciativas de outros, enquanto os de baixa resiliência correm o risco de se isolar. A boa notícia é que essa é uma competência passível de ser desenvolvida.

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