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''A imprensa escrita sobreviverá''

Especialista destaca credibilidade e prestígio da mídia impressa

, O Estadao de S.Paulo

31 de março de 2009 | 00h00

O cientista político e sociólogo Fernando Lattman-Weltman, da Fundação Getúlio Vargas, afirmou ontem que a imprensa escrita sobreviverá à revolução da internet se souber aproveitar o que chamou de "grande capital político" da mídia impressa: a credibilidade e o prestígio, menores nos meios digitais. Ao participar do seminário "O Jornal de Amanhã", promovido pelo Centro de Pesquisa e Documentação da FGV, o pesquisador declarou tender a achar que, como toda revolução tecnológica da história da imprensa nos últimos 250 anos, a mudança implica, ao lado dos riscos, oportunidades, mas reconheceu que a forma atual dos jornais poderá mudar. O encontro teve a participação do diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, e dos diretores de redação de O Globo, Rodolfo Fernandes, e de O Dia, Alexandre Freeland."Acho que, se a imprensa escrita souber valorizar, reforçar e capitalizar as suas propriedades distintivas, ou, como se diz em economia, as suas vantagens comparativas, tem condição de sobreviver a essa mudança", disse o pesquisador. "Pode ser que a forma do jornal vá mudar. A gente vai ler um jornal que será uma folha eletrônica, que a gente leva para onde quiser, leva para o café, para a praia, mas estará lá a mesma palavra impressa, escrita, com credibilidade, com prestígio."Lattman-Weltman afirmou considerar difícil que a internet possa competir com a mídia impressa tradicional - que tem perdido público para os meios digitais -, no campo da informação com credibilidade. "Porque uma das grandes vantagens da internet é exatamente ela ser aberta e porosa a todo tipo de coisa", explicou. "Por isso mesmo, ela é a Casa da Mãe Joana: escreve todo mundo na internet, escreve o que quiser e inclusive dizendo que é outra pessoa ou vice-versa." O pesquisador disse que o fato de a imprensa escrita, por restrições de espaço, precisar ser mais seletiva, submetendo as informações ao processo de escolha e edição, ajuda a reforçar o seu prestígio."Isso dá ao veículo, evidentemente, um caráter muito mais elitista mas ao mesmo tempo dá credibilidade. Ou seja, quem publicou no jornal, quem publicou na revista, é porque tem o aval do veículo e portanto tem credibilidade", declarou.

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