A inadimplência avança e os bancos se previnem

Com os reajustes de luz, água e combustíveis, inflação corroendo salários, juros altos e desemprego crescente, a inadimplência sobe como rojão. Segundo a Serasa Experian, o volume de dívidas em atraso por mais de 90 dias cresceu 14,9% entre os primeiros quadrimestres de 2014 e de 2015. O calote atinge principalmente os bancos, onde subiu 1,8 ponto porcentual entre março e abril. É fato preocupante, pois consumidores e empresas de menor porte habitualmente dão prioridade a pagar débitos bancários, temendo perder acesso ao cheque especial e aos cartões de crédito.

O Estado de S.Paulo

27 Maio 2015 | 02h05

No período, caiu 14,8% o número de títulos protestados, refletindo o ritmo menor da atividade industrial e comercial e o recuo das operações com promissórias ou duplicatas. Também caiu 10,7% a proporção de cheques sem fundos, pois o comércio evita o uso de pré-datados. Em outras dívidas não bancárias - caso de contas de luz, gás e telefone, no valor médio de R$ 413,44 -, os atrasos cresceram 2,6%.

A tendência, segundo a Serasa, é de que os calotes dos consumidores fiquem em nível alto por tempo indefinido. Já nas empresas, continuarão acima do padrão, mas a perspectiva é melhor para o fim do ano.

O diagnóstico confere com o dos bancos. Para se prevenir, estes elevaram em 30%, em média, as provisões para devedores duvidosos, acima dos habituais 10% a 15%. Segundo a Fitch Ratings, um terço do aumento deve-se a grandes empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato. Entre o último trimestre de 2014 e o primeiro deste ano, os Bancos Itaú, BTG Pactual, Bradesco e BB elevaram as provisões para calotes em R$ 29,7 bilhões.

A inadimplência é fator de alta de juros, que já são estratosféricos no cartão de crédito e no cheque especial. Mais risco e mais restrições de crédito. A cautela evitou um estouro nas despesas com calotes. Se a proporção de despesas com calotes supera o aumento da carteira de crédito, os bancos lançam o prejuízo.

No primeiro trimestre, grandes bancos obtiveram bons resultados em razão do custo do dinheiro e da desvalorização do real. Mas já foi dado o sinal para que reforcem os seus colchões de reservas para devedores duvidosos.

É uma decisão tomada não só levando em conta os índices atuais de inadimplência, mas como proteção para futuros calotes, cujo volume é praticamente imprevisível em face das condições de mercado neste ano de ajuste da economia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.