A inadimplência pode piorar o quadro econômico

A inadimplência aumentou, entre junho e julho, segundo a Serasa-Experian e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL). É a última má notícia para a atividade econômica, pois poderá contribuir para uma seletividade ainda maior das operações de crédito, indispensáveis para as transações comerciais.

O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2014 | 02h38

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor mostrou alta de 4% no mês e de 11% em relação a julho de 2013. Segundo a CNDL e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a quantidade de consumidores inadimplentes subiu 4,43% entre os meses de julho de 2013 e de 2014 - e avançou 0,42% em relação a junho.

São várias as formas de inadimplência - e o maior crescimento, segundo a Serasa, foi registrado no número de protestos, com alta mensal de 21,2%. Foi de 11,6% o aumento das emissões de cheques sem fundos e de 6,1% o das dívidas não bancárias, ou seja, com fornecedores, como lojas, cartões de crédito, financeiras e prestadoras de serviços (telefonia, energia elétrica, água, etc.).

Os pesquisadores da CNDL encontraram resultados semelhantes: as empresas de serviços públicos estão mais preocupadas com os atrasos e a inscrição de dívidas cresceu 14,5% entre julho de 2013 e o mês passado. Até agora as concessionárias evitavam recorrer aos serviços de proteção ao crédito, porque a inadimplência era baixa e o registro do atraso implica custos.

Nos bancos, a inadimplência é menor: os atrasos cresceram apenas 0,1% entre junho e julho, segundo a Serasa. O que se explica porque os bancos têm sido mais cuidadosos na concessão de crédito, a tal ponto que o valor médio das dívidas em atraso com essas instituições caiu 6,8% entre os primeiros sete meses de 2013 e igual período de 2014. Entre junho e julho, a inadimplência das pessoas físicas apurada pelo Banco Central nas operações de crédito livre diminuiu de 6,7% para 6,5%, sendo maior nos créditos renegociados - ou seja, devedores em atraso não recuperaram a solvência.

Atividade econômica baixa, juros altos e inflação "em patamar desconfortável" foram as causas da elevação da inadimplência apontadas pela economista da SPC Brasil Marcela Kawauti. As pessoas "não têm sobra de dinheiro para pagar as dívidas", disse ela à Agência Estado.

O mais grave é que o problema parece afetar justamente as famílias de menor renda, que chegaram ao mercado em grande número com a política de estímulo ao consumo.

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