Dida Sampaio/ Estadão
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As incertezas começam a se dissipar?

Até agora, as dúvidas sobre quem sairá vencedor da eleição de 2018 fizeram muita gente adiar investimentos e compras relevantes

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2018 | 16h00

O que esperar desse apoio do chamado Centrão (ou Blocão) à candidatura à Presidência da República de Geraldo Alckmin?

Foi por conta disso que, nesta sexta-feira, a Bolsa comemorou, o dólar e os juros mergulharam e o discurso dos analistas, até agora tão soturno, começou a descontrair-se. Mas o que há de novo e o que significaria isso?

Ao longo dos últimos dez meses, em toda análise sobre perspectivas da economia brasileira não se falou de outra coisa senão das enormes incertezas que paralisaram tudo.

E a principal incerteza que bloqueou decisões de investimento, de compras relevantes ou de encaminhamento profissional de tanta gente foi a que pairou (e, por certo, ainda paira) sobre o quadro eleitoral. Investimentos deixaram de ser realizados e os juros não poderiam cair mais, porque o horizonte estava turvado. O risco de trombada logo adiante vinha tomando tudo.

Sem clareza sobre como o Brasil seria governado a partir de 2019, muita coisa foi sendo adiada. Não se trata propriamente de garantir opção ideológica precisa, que aponte para programas de direita ou esquerda, mas de uma direção, qualquer que fosse, que desse o norte para a vida nacional.

O tal Centrão carrega as deformações de nossa política. É, com as exceções possíveis, agrupamento fisiológico aferrado ao toma lá dá cá e ao que há de pior no patrimonialismo herdado do Brasil Colônia. Mas, no momento, leva condições para contribuir para o adensamento da até agora pouco relevante candidatura de centro, no sentido de que se apresenta como relativamente equidistante dos extremos do espectro político nacional.

Independentemente do que de fato o Brasil precise, uma candidatura assim se propõe a favorecer a ocorrência de certo choque de capitalismo, a levar adiante as reformas, a melhorar as finanças públicas e a restabelecer ambiente mínimo de segurança pública. É nesse sentido que contribui para dissipar algumas das tais incertezas.

As consequências imediatas desse repentino adensamento eleitoral são políticas. As forças que até agora esperavam algum sinal dos astros para se posicionar têm de se mexer para não ficar à margem. Há importantes alianças a negociar nos Estados, além da partilha do tempo de propaganda gratuita de TV, fator de grande potencial eleitoral, mesmo com o crescimento da importância das redes sociais. As novas relações de força demorarão certo tempo a chegar ao eleitor, pois ainda há trâmites a percorrer, a campanha nem começou a ser montada e a nova geometria eleitoral ainda não se completou.

Do ponto de vista econômico, talvez não seja preciso esperar pela total formalização das candidaturas e sua sacramentalização pela Justiça Eleitoral para que muita coisa hoje parada comece a fluir. O empresário, por exemplo, pode ser levado a desengavetar projetos de investimento para não correr o risco de perder espaço para seu concorrente que sair à frente. O consumidor que vinha retrancado porque temia o que pudesse acontecer com seu emprego e seu salário, tenderá a perder o receio de sacar seu cartão de crédito. E o aplicador de recursos poderá ter mais clareza para escolher entre as opções do mercado. Há novidades a conferir.

CONFIRA:

» Guerra cambial?

A guerra comercial do presidente Donald Trump tem potencial para mudar de patamar. Até agora, não passava do campo tarifário. Agora, Trump quer avançar para o terreno cambial.

 

» ‘Não gosto do Fed’

Quinta-feira, Trump avisou que não gosta nem um pouco da política monetária adotada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Empenha-se a reduzir os juros, manobra que valoriza o dólar que, por sua vez, tira competitividade dos produtos norte-americanos de exportação. 

 

» ‘Manipulação’

Sexta-feira, Trump foi além, declarou que não só a China, mas também a Zona do Euro manipulam suas moedas para desvalorizá-las e, assim, conter as exportações dos Estados Unidos. Uma guerra cambial não se restringiria ao comércio, mas poderia envenenar todo o mercado financeiro global cujos títulos são denominados nas principais moedas do mundo.

 

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