A indústria ainda não reagiu à correção cambial

No consumo total de produtos industriais, a fatia dos importados aumentou de 21%, no primeiro trimestre, para 21,1%, no segundo trimestre, segundo a pesquisa Coeficientes de Abertura Comercial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foi um recorde desde que o levantamento começou a ser feito, em 2007. E esse aumento do peso dos importados não é tão pequeno, pois ocorreu num período em que o dólar já se valorizava - isto é, os produtos importados custavam mais caro para os consumidores.

O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2013 | 02h04

Cresceram, em especial, as importações de equipamentos de transporte, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, químicos, de informática, eletrônicos e ópticos. Os produtos estrangeiros abocanharam maior participação no mercado brasileiro justamente quando a economia local perdia dinamismo.

O chamado coeficiente de penetração das importações era da ordem de 17% quando a pesquisa começou a ser feita, há seis anos; chegou ao mínimo de 15,9%, no primeiro trimestre de 2010, mas depois disso só cresceu. O aumento foi de 4 pontos porcentuais desde 2007, enquanto o coeficiente de exportações diminuiu 2,7 pontos porcentuais, entre 2007 e 2013.

O porcentual de importados reflete o baixo grau de competitividade dos produtos brasileiros no mercado local. A baixa competitividade é confirmada nos mercados externos, pois o porcentual do faturamento da indústria proveniente das exportações reduziu-se, entre o primeiro e o segundo trimestres, de 19,5% para 19,2%.

A indústria contribuiu, assim, para a piora da balança comercial, que de janeiro até a segunda semana de agosto teve déficit de quase US$ 4,4 bilhões, ante o superávit, nas mesmas bases de comparação, de US$ 11,5 bilhões em 2012. A recuperação da competitividade dos produtos industriais tende a ser lenta, pois a demanda externa nem sempre é similar à demanda interna, envolvendo mudança de processos produtivos.

A desvalorização do real de quase 15%, em 2013, poderá ajudar a atenuar o déficit do comércio de bens industriais, mas, para que tenha efeitos maiores, teria de se apoiar em políticas muito mais complexas, envolvendo a infraestrutura de transportes, a carga tributária e a eficiência dos serviços das alfândegas - um conjunto que conferiria maior rentabilidade à atividade industrial de exportação. A produtividade é baixa até nos principais portos brasileiros, como Santos e Rio de Janeiro.

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