A indústria do Nordeste foi menos atingida

A força eleitoral do governo Dilma Rousseff no Nordeste não parece se dever apenas aos programas sociais voltados para a população de baixa renda, mas até à produção industrial, como indicam os resultados regionais da indústria apurados pelo IBGE. Nos últimos 12 meses, até setembro, a indústria nordestina caiu menos do que a de áreas mais desenvolvidas - ou seja, sobreviveu melhor à intensidade da crise que afeta o resto da indústria do País. E, conforme a base de comparação, chegou a crescer.

O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2014 | 02h03

Entre setembro de 2013 e setembro de 2014, a indústria do Nordeste avançou 1,1%, enquanto a indústria nacional caiu 2,1%. Na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral subiu 1,4% no Nordeste, entre agosto e setembro.

Já no segundo e no terceiro trimestres deste ano, os porcentuais do Nordeste foram negativos em 2,9% e 2%, comparados a igual período de 2013, mas no País a queda foi quase o dobro: 5,3% e 3,7%, respectivamente. Em 12 meses, até setembro, a indústria do Nordeste caiu 0,9% e a do País, 2,2%. Entre janeiro e setembro de 2014, ante igual período de 2013, a produção nordestina declinou 0,6% e a nacional, 2,9%.

De fato, não apenas no Nordeste a indústria teve melhor comportamento. O setor secundário também mostrou mais resistência no Pará, Amazonas, Goiás, Espírito Santo e Mato Grosso.

Os piores resultados foram registrados onde a economia em geral e a indústria, em particular, são mais desenvolvidas. No Rio, por exemplo, a queda mensal foi de 5,6% e chegou a 7,8%, quando comparada a setembro de 2013 - e atingiu 3,6% quando se comparam os dados de janeiro a setembro de 2013 e de 2014. Em São Paulo, o recuo foi de 0,7% no mês e de 6,9% em relação a setembro de 2013, com queda de 5,8% no acumulado do ano. Na comparação entre os terceiros trimestres de 2013 e de 2014, a indústria paulista caiu 7,1%, pior resultado da série histórica iniciada em 2003.

O maior problema parece ser o de que em áreas menos desenvolvidas está mais concentrada a produção destinada ao consumo, como produtos alimentícios (caso do açúcar), derivados de petróleo, artigos de couro, tênis e outros materiais plásticos. E nas áreas mais desenvolvidas pesam mais bens de capital, como máquinas e equipamentos, duráveis de alto custo, como veículos, e bens com maior conteúdo tecnológico. A retomada da indústria dependerá, assim, do comportamento de áreas mais desenvolvidas.

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