A indústria em Santa Catarina cresceu mais. Veja por quê

A diversidade do parque industrial, as vantagens logísticas, a vocação para o comércio exterior e os investimentos em tecnologia, desenvolvimento de produtos e qualificação de mão-de-obra são os principais responsáveis pelo crescimento industrial, acima da média brasileira, de Santa Catarina no ano passado, de acordo com os empresários locais. A indústria catarinense superou as dos outros Estados brasileiros e foi a que mais cresceu em 2001: 3,7% em relação ao ano anterior, segundo o IBGE. A indústria do Paraná, com 3,2%, foi a segunda da lista, à frente da de São Paulo que, com 2,5%, foi a terceira."Santa Catarina vem colhendo os frutos de um modelo de desenvolvimento industrial caracterizado pela diversificação, tendência de agregar valor e processos de alta tecnologia aos produtos e vocação para exportação", explica Osvaldo Douat, empresário do setor têxtil, que é também vice-presidente da CNI e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).O Estado tem, de acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2000 do Ministério do Trabalho, 20.011 indústrias, que começaram 2002 contratando: segundo pesquisa da Fiesc, foram criados, nas 388 indústrias consultadas, 813 postos de trabalho em janeiro, um aumento de 0,44% ante dezembro de 2001. As empresas participantes da pesquisa são as maiores do Estado e empregam cerca de metade da força de trabalho da indústria: 185.581 trabalhadores (a população de Santa Catarina é pouco maior que 5 milhões).O aumento do nível de emprego na indústria catarinense casa com o recorde de exportações obtido ano passado. Foram exportados US$ 3,02 bilhões, 12% a mais que em 2000, para 165 países diferentes. É o quinto maior Estado exportador da União. E, como as importações não são tão altas, 2001 fechou com um superávit de US$ 2,16 bilhões, o terceiro maior entre todos os Estados (o superávit na balança brasileira no ano passado foi de US$ 2,5 bilhões).A pauta de exportação é variada: aves, moto compressores, móveis de madeira, roupas, carne suína, revestimento cerâmico, motores e geradores elétricos, madeira e papel cartão são, pela ordem, os principais produtos vendidos para o exterior.O Estado tem uma boa malha viária, apesar de deficiente em algumas regiões, e dois portos competitivos, o de Itajaí-Navegantes e o de São Francisco (próximo a Joinville), para escoar a produção, aponta Cesario Rogerio, presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica da Região de Criciúma. "Os dois portos são competitivos em preços, mais que os de Santos, Sepetiba e Tubarão, e são bem localizados", afirma.Os dois portos são responsáveis por quase a totalidade das exportações (cerca de 10% delas saem via asfalto para os países do Mercosul). Segundo Glauco José Corte, diretor da Fiesc, há planos de se construir uma ferrovia ligando a região Oeste do Estado ao porto de São Francisco. "Isso contribuirá fortemente para o aumento dos embarques para o exterior", diz.Os mercados mais importantes para as indústrias sediadas em Santa Catarina são os Estados Unidos, para onde foram exportados 4% a mais em 2001 do que em 2000 (US$ 714 milhões ante US$ 687 milhões), Argentina, para onde as vendas caíram 14,5% no ano passado (de US$ 295 milhões para US$ 252 milhões), e Alemanha, que comprou 7% a mais no mesmo intervalo de tempo (US$ 206 milhões em 2000 ante US$ 217 milhões em 2001). As exportações para a Rússia (US$ 195 milhões em 2001, 398% a mais que os US$ 39 milhões de 2000) e o Reino Unido (US$ 173 milhões ano passado) também são importantes."Nos últimos anos os investimentos industriais mudaram de característica, passaram a ser direcionados para a inovação tecnológica, para o desenvolvimento de novos produtos e de novos processos de produção e também para o aperfeiçoamento de mão-de-obra", avalia Glauco José Corte. Osvaldo Douat lembra que isso se deve bastante à colonização fortemente européia do Estado. "Há uma herança da mentalidade dos europeus", diz.Segundo os dados da Fiesc, as indústrias investiram aproximadamente R$ 600 milhões no ano passado. "Os investimentos voltados para design de produtos, melhoria de processo e atualização tecnológica foram cerca de 40% disso", conta Corte. Foram destinados aproximadamente 16% para aquisição de equipamentos, 10% para obras civis, 8% para treinamento de pessoal e 5% para marketing, conforme as informações da Fiesc. "A qualidade dos investimentos está melhorando", resumiu o diretor.

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