A indústria testa o fundo do poço

Com desempenho negativo desde novembro do ano passado, a indústria teve leve recuperação em setembro, segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mas não houve mudança de tendência, avaliou o gerente executivo da entidade, Flávio Castelo Branco. "A queda da produção foi de certo modo interrompida, mas as expectativas para os próximos seis meses continuam negativas ou menos favoráveis do que estavam no último levantamento", disse ele à Agência Estado.

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2014 | 02h05

O número de corte da pesquisa é 50 pontos e, abaixo disso, o sinal é negativo. A pesquisa, feita entre 1.º e 10 de outubro, mostrou o indicador de produção em 49,7 pontos em setembro. Subiu em relação aos 48,1 pontos de agosto, mas significa apenas estabilidade da produção, enfatizaram os analistas da CNI.

Sazonalmente, a indústria amplia sua atividade entre setembro e novembro para atender aos pedidos do comércio varejista, que tem no Natal e no ano-novo seu período de vendas mais fortes. Nada mais normal, portanto, que a indústria produza mais neste período, sem que isso caracterize uma retomada.

De fato, outros indicadores da Sondagem Industrial da CNI são bem mais negativos. O emprego continua muito fraco, em 46,8 pontos (ontem, o IBGE comunicou uma forte redução das vagas industriais em setembro). A utilização da capacidade instalada foi de apenas 42,5 pontos, muito abaixo do usual para o período. O acesso ao crédito reduziu-se ao nível crítico de 37,6 pontos, pior do que em agosto (38,3 pontos), num sinal do grau de dificuldade para a obtenção de capital de giro, obrigando ao corte de estoques - que se estabilizaram.

Mais do que recuperação, o setor industrial parece testar qual é o fundo do poço - o patamar em que será possível alcançar a estabilização. Esta não depende só dos empresários, mas de condições macro e microeconômicas favoráveis. A desvalorização cambial de 14,5% neste ano, até o dia 22, ajuda as indústrias exportadoras e dificulta as importações.

Será preciso saber se as empresas aproveitarão os ganhos para reduzir preços e tentar aumentar as vendas ou se darão preferência à recomposição de margens. Segundo a CNI, diminuiu a insatisfação dos empresários com o lucro operacional e a situação financeira, embora ambos estejam no plano negativo. É um sinal do esforço das empresas para manter a saúde financeira.

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