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A inflação ainda não cede

Não se repetiu em abril a inflação mais fraca de março, quando o IPCA havia avançado 0,43% e parecia definir um novo padrão para os preços no varejo

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2016 | 21h00

A inflação de abril ficou mais alta do que o esperado. Ficou em 0,61%, o que surpreendeu os analistas que trabalhavam com a expectativa de uma alta restrita à faixa do 0,48% a 0,55%. Ninguém contava com o reajuste de 4,0% nas tarifas dos celulares e houve, também, as correções dos serviços de saúde.

Assim, não se repetiu em abril a inflação mais fraca de março, quando o IPCA havia avançado 0,43% e parecia definir um novo padrão para os preços no varejo.

No entanto, medida em 12 meses, a inflação caiu mais alguma coisa, de 9,39% em março para 9,28% em abril. Desta vez, está menos espalhada. Há menos itens da cesta de consumo que acusaram alta de preços, ou 67,7% deles, em abril. Em março o índice de difusão foi de 70,1%.

A aposta predominante no mercado financeiro é a de que a inflação deste ano ficará abaixo dos 7%, no entanto, ainda acima do teto da meta (6,5%). Mas há certas razões para contar com que esse número acabe sendo mais baixo. Como é altamente provável que a presidente Dilma seja afastada, é de supor que a inflação seja influenciada pelas mudanças que virão com a política econômica do novo governo.

O provável futuro ministro da Fazenda do governo Temer, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, não mais esconde que deverá atacar o problema de base, ou seja, deverá atacar a desordem das contas públicas, com metas realistas e muita disciplina. Se for assim, poderá ser recuperada boa parte da confiança que foi por água abaixo ao longo da administração perdulária e escamoteadora do governo Dilma. E isso já será um bom caminho andado, não só para conter o avanço da dívida pública, mas também para melhorar o controle da inflação, como o Banco Central deixou claro na última Ata do Copom divulgada.

Na quinta-feira, a agência de classificação de risco Fitch voltou a rebaixar a qualidade dos títulos de dívida do Brasil, de BB+ para BB e, ainda, a manteve em perspectiva negativa (tendência a novo rebaixamento). A explicação para esse passo é a inconsistência da política econômica do governo no combate ao rombo de maneira a abrir caminho para a volta do crescimento. A inflação alta demais também faz parte desse quadro, que, espera-se, seja revertido pelo próximo governo.

 

Isto posto, o que esperar da política monetária (política de juros) nos próximos meses? O Banco Central mandou seu recado por meio da última ata: ainda não estão dadas condições técnicas para puxar os juros para baixo.

É uma afirmação que tem de levar o desconto de que a mudança de orientação da política econômica deve alcançar também o Banco Central, no sentido de que uma política fiscal mais consistente terá tudo para criar condições para que, mais adiante, os juros possam cair mais rapidamente.

Mas, no que ficou avançado aqui na Coluna da última terça-feira, ninguém deve esperar por pressões do novo governo para que o Banco Central se apresse a derrubar os juros sem que haja contrapartida de ordenamento das contas públicas. 

CONFIRA:

No gráfico, a evolução dos preços livres e administrados.

Continua pesando

As estatísticas de abril levantaram dúvidas sobre a duração do processo de realinhamento dos preços administrados, ou seja, das tarifas e preços determinados por lei ou vontade de quem manda. E nessa lista estão a conta de luz, os preços dos combustíveis, da telefonia e as tarifas da condução urbana. Quando se imaginava que a maior parte do ajuste estava feita, eis que, em abril, os preços administrados subiram bem mais do que os preços livres: 10,69% ante 8,85%.

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