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A inflação da classe média está mais pressionada

As despesas com habitação, alimentação, transportes e saúde explicam o aumento de 0,42%, em maio, e de 7,34%, nos últimos 12 meses, do Índice do Custo de Vida da Classe Média (ICVM), preparado pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB) e relativo às famílias paulistanas com renda entre 10 e 39 salários mínimos (R$ 7.880,00 a R$ 30.732,00). A variação do ICVM foi muito semelhante à do IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas também neste indicador as pressões vieram dos preços ao consumidor, que continuam crescendo em ritmo acelerado.

O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2015 | 02h03

No ICVM, o custo da habitação aumentou 0,66% no mês passado, puxado por energia elétrica (+1,53%), condomínio (+0,8%), pintor (+2,4%), pedreiro (+1,74%) e gás de botijão (+4,14%). Isoladamente, a habitação respondeu por 47,6% da elevação do índice, mas a alimentação, que pesou 32,3% no ICVM, subiu ainda mais (0,82%). A cebola (+41,6%) e o tomate (+13,08%) encareceram a alimentação nos domicílios, ao lado do leite longa vida, do coxão mole e do pão francês. Já as refeições fora do domicílio subiram, em média, 1,12%. Transportes subiram 0,42% e despesas com saúde, 0,89%.

A alta do ICVM foi generalizada, alcançando 313 dos 468 itens pesquisados pela OEB, que avalia os itens mais sofisticados, ou pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O chamado índice de difusão foi, portanto, elevado: 67% dos itens tiveram os preços majorados.

Nos últimos 12 meses, os itens educação e alimentação já subiram mais de 8%. E neste mês, como a inflação de junho de 2014 foi de apenas 0,14%, o coordenador do ICVM, José Tiacci Kirsten, considera muito provável que o índice passe a superar os 8%. A inflação dos serviços foi ainda mais alta que a dos produtos e chegou a 8,25% em 12 meses. Muitas despesas não podem ser comprimidas, como o ônibus e os planos de saúde.

O IPC, calculado pela FGV, confirma o quanto são pressionados os preços de itens como habitação, despesas diversas das famílias, educação, leitura e recreação, além de vestuário e transportes. As despesas com jogo lotérico, por exemplo, subiram 20,62% em maio.

A redução das pressões sobre os preços no atacado mal chegou ao consumidor final. Até que isso ocorra, a inflação continuará ceifando o poder de compra dos salários e impondo restrições ao endividamento, com impacto negativo no varejo, na indústria e no PIB. E, até que a inflação caia, o juro seguirá alto.

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